Lula orienta ministros a não aceitarem taxas dos EUA: ‘vendm para quem quiser comprar’

Presidente voltou a chamar Flávio Bolsonaro de 'traidor da pátria' e disse que adversários tentam prejudicar sua pré-candidatura com interesses mesquinhos

O presidente Lula afirmou aos ministros nesta quarta-feira (3) que o Brasil não deve aceitar o tratamento que o governo de Donald Trump está impondo ao país e que devem procurar alternativas no mercado internacional. “Se ele [Trump] não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. A gente não vai ficar reclamando.

Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro”, declarou em reunião ministerial no Palácio do Planalto. Os EUA propõem taxar produtos brasileiros em até 37,5%, citando práticas comerciais “irrazoáveis” do Brasil (com foco principal no Pix, citado mais de 20 vezes pelo relatório do USTR).

Lula disse que cobrará uma resposta de Trump: “Vou mandar outra carta para o Trump para mostrar que eles estão errados, equivocados, estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária.” O presidente reclamou da forma como os anúncios têm sido feitos:

“Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. Desde o primeiro tuíte do presidente Trump, que é um comunicado avesso àquilo que a democracia e a civilidade exigem, que um presidente comunique o outro ou mande uma carta oficial.” Pela primeira vez, Lula admitiu surpresa:

“Eu saí de lá [do encontro com Trump na Casa Branca] convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento com os Estados Unidos.”

Lula voltou a atacar o secretário de Estado Marco Rubio (“ele não gosta da América Latina e menos ainda do Brasil. É um latino-americano frustrado”) e lembrou o envolvimento de embaixadores norte-americanos no golpe militar de 1964.

Sem nomear, o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi chamado novamente de “traidor da pátria” e “imbecil”:

“Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, rasteiros, de uma disputa eleitoral – e não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria, alguém capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos dele.”

Lula disse que decidiu ir à cúpula do G7 (em Évian-les-Bains, França, entre 15 e 17 de junho) para debater o assunto. Esta foi a primeira reunião ministerial com os “novos” ministros: “É uma arrumação de discurso pra todo mundo, ninguém tem que ter medo de nada.”

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