16 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Mandetta e Teich depõem na CPI sobre ações e desmandos do governo nesta terça

O primeiro ministro da Saúde já chegou a chamar o governo de genocida e o segundo que ‘quem vai julgar o presidente é o futuro’

Em seu primeiro dia de depoimentos, a CPI da Covid recebe, já nesta terça, os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.

E o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), deve determinar que apenas os 18 senadores que integram o colegiado (11 titulares e 7 suplentes) possam fazer questões, para que os depoimentos possam ser finalizados a tempo.

Confira a transmissão ao vivo da TV Senado:

Desafetos

Em franca oposição e crítica à atuação do governo Jair Bolsonaro, Mandetta será o primeiro a depor, a partir das 10h. E enquanto o governo se preocupa com um palanque eleitoral para 2022, a oposição quer informações do ex-ministro que já classificou como “genocida” a atuação do governo nesta pandemia.

A narrativa da oposição deve seguir as críticas de Mandetta em relação ao uso de medicamentos sem comprovação científica para o tratamento da covid, como ivermectina e hidroxicloroquina, para atacar o governo.

Enquanto isso, aliados do presidente pretendem associar Mandetta à estratégia inicial governo no enfrentamento da covid, na tentativa de diminuir sua credibilidade como crítico de medidas tomadas por Bolsonaro. Uma ofensiva só deve acontecer se Mandetta adotar um tom mais forte contra o presidente.

Mandetta ocupou o cargo de ministro da Saúde de janeiro de 2019 a abril de 2020, início da pandemia. Quando ele foi demitido, a média móvel de mortes pela covid era de 142 óbitos por dia. Hoje é de 2.375. Mais de 408 mil pessoas morreram no Brasil em razão da doença.

Depois de ouvir Mandetta, a CPI da Covid receberá seu sucessor na pasta, Nelson Teich. O início do depoimento no Senado está marcado para as 14h.

O segundo ministro da Saúde de Bolsonaro, inclusive, chegou a dizer “quem vai julgar o presidente é o futuro, não vai ser eu”, após se demitir da pasta.

Teich ficou apenas um mês no cargo, teria saído por se recusar a indicar cloroquina e à época a média móvel de mortes pela covid no país era de 706 óbitos por dia.

A defesa que Bolsonaro faz do uso desses remédios deverá embasar os principais questionamentos de senadores da oposição a Teich — que também se colocou contra um o decreto de Bolsonaro que incluiu salões de beleza, barbearia e academias de ginástica entra as atividades consideradas essenciais no período da pandemia.

Depoimento

Após abrir a sessão para uma breve explanação do ex-ministro da Saúde, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), vai liberar o tempo para as perguntas:

  • Cada um dos 18 senadores terá o direito a cinco minutos para formular os questionamentos, sendo o mesmo tempo concedido ao depoente para a resposta.
  • Depois, serão concedidos três minutos para as réplicas e outros três minutos para as tréplicas.

Outros convocados pela CPI

  • Ex-ministro Eduardo Pazuello: 5 de maio, às 10h
  • Atual ministro Marcelo Queiroga: 6 de maio, às 10h
  • Presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres: 6 de maio, às 14h

Os integrantes da CPI

  • Governistas: Jorginho Mello (PL-SC), Eduardo Girão (Podemos-CE), Marcos Rogério (DEM-RO) e Ciro Nogueira (PP-PI)
  • Independentes e oposição: Humberto Costa (PT-PE), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Renan Calheiros (MDB-AL), Otto Alencar (PSD-BA), Omar Aziz (PSD-AM), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Eduardo Braga (MDB-AM)
  • Suplentes: Jader Barbalho (MDB-PA), Luis Carlos Heinze (PP-RS), Angelo Coronel (PSD-BA), Marcos do Val (Podemos-ES), Zequinha Marinho (PSC-PA), Rogério Carvalho (PT-SE) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE).