19 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
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Mentiroso e peidorreiro. De quem eu falo?

Além de peidorreiro, mentiroso, mas, muito mentiroso. Ainda não citei o nome, porém, tenho a certeza de que você já sabe de quem estou falando.

Sim, é dele mesmo. Uma matéria que acabo de ler n’O Globo traz dados para confirmar o que escrevo. Segundo o portal de notícias, um relatório da Artigo 19, uma organização não-governamental presente em noves países (o Brasil entre eles), mostra que Bolsonaro emitiu 1.682 declarações falsas ou enganosas em 2020.

Isso dá uma média de mais de quatro mentirinhas por dia. Achou pouco? Leia este trecho da matéria:

“O documento também aponta ataques de Bolsonaro à imprensa e mostra uma queda no nível de liberdade de expressão no mundo em geral e no Brasil: o país obteve apenas 52 pontos numa escala que vai de 0 a 100. O índice é o mais baixo registrado pelo Brasil desde 2010, quando começou a ser calculado pela ONG. As informações fazem parte do “Relatório Global de Expressão 2021″, com dados de 161 países”.

A Organização também responsabiliza as declarações falsas de Bolsonaro pelo aumento do número de casos de Covid-19 no país. Chamar a doença de “gripezinha”, os discursos anti-vacina e anti-isolamento somente agrava a polarização no Brasil e o quadro de infecções e mortes pelo novo coronavírus. A desinformação mata e adoece.

“Em outros casos, a desinformação vem de indivíduos que ocupam posições relevantes — até mesmo chefes de governo, como Jair Bolsonaro — geralmente por meio de contas pessoais, em vez de oficiais, nas redes sociais. Esses indivíduos isolados podem ter um grande impacto na disseminação da desinformação. O presidente dos Estados Unidos [Donald Trump, que estava no cargo em 2020] foi provavelmente o maior impulsionador da ‘infodemia’ de informações errôneas sobre a COVID-19 em língua inglesa”, ressalta trecho do relatório.

E o pior, quem combate a ignorância e se posiciona do lado da ciência e da vida sofre ataques nas mais diversas frentes. O relatório da Artigo 19 revela, ainda, que foram 464 declarações públicas de Bolsonaro, seus ministros ou assessores próximos atacando ou deslegitimando jornalistas. “Esse nível de agressão pública não era visto desde o fim da ditadura militar”, conclui a ONG.

Nesse cenário, já ultrapassamos as 553 mil mortes por Covid-19 em meio a um turbilhão político e social. A fome avança, os ataques à democracia são diários e a sociedade regride. O Brasil de Bolsonaro é um dos maiores pesadelos da História recente.

Porém, enquanto der sequência às suas políticas de concentração de renda, fizer as “reformas” e as privatizações que faz o mercado revirar os olhos, além de encher os bolsos de gente corrupta e comprometida apenas com o próprio umbigo, Bolsonaro se sustenta.

O Deus Mercado, assim como as divindades de civilizações antigas, se alimenta do sacrifício de vidas humanas. Depois de tudo isso, é preciso repensar os rumos que a humanidade deseja tomar. Se o da sustentabilidade ou o da autodestruição.