1 de março de 2024Informação, independência e credibilidade
Brasil

Ministro Ayres de Brito: ‘O ódio está à espreita na democracia brasileira’

Segundo ele, o Brasil padece ainda de graves defeitos de fabricação colonial, entre os quais, o elitismo e, o autoritarismo”.

Ministro aposentado do STF, Ayres de Brito: o 8 de janeiro foi orquestrado, premeditado e financiado.

O 8 de janeiro no Brasil foi um dia terror patrocinado por quem não convive com a democracia “como governo do povo, pelo povo, para o povo, politicamente, eleitoralmente”, segundo disse o jurista e ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres de Brito.

“Foi uma tentativa de golpe de Estado e, ao mesmo tempo, um atentado ao Estado Democrático de Direito — um democraticídio. Eu entendo que houve uma mentalização, algo concebido, premeditado, financiado, orquestrado e perpetrado, tudo sequenciadamente contra a democracia brasileira”, disse ele em entrevista ao jornal Correio Braziliense.

Para o ministro, o STF foi o principal alvo dos atos criminosos do dia da infâmia, como ele se refere ao 8 de janeiro, porque “o Judiciário é proibido de dar o silêncio como resposta”. Ou seja, tem a última palavra.

O ódio à espreita

Segundo Ayres de Brito, o ódio está à espreita na democracia brasileira. Ele destaca que a democracia brasileira é o alvo a ser alcançado por esse ódio político. “Na verdade, o Brasil padece ainda de graves defeitos de fabricação colonial, entre os quais, o elitismo — numa perspectiva socioeconômica — e, numa perspectiva política, o autoritarismo”.

Ele disse ainda que a democracia não pode ser varrida do mapa, porque se ela for, vier a ser varrida do mapa, leva o mapa civilizatório junto. “Nada de civilizado subsiste. Se você usa da liberdade de expressão, por exemplo, para cortar os pulsos da democracia, que é o princípio continente, e a liberdade de expressão é o principal conteúdo, a democracia vai morrer por assassinato, e a liberdade de expressão vai morrer por suicídio”. Declarou