26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Justiça

Moradores dos Flexais apresentam à Defensoria Pública relatório que aponta danos estruturais

Foram visitadas 62 casas do Flexal de Cima e de Baixo, que ocupam cerca de 70 mil metros quadrados e cerca de 700 metros lineares de rua

Representantes dos moradores da região dos Flexais de Cima e de Baixo entregaram, na última sexta-feira, 27, ao coordenador do Núcleo de Proteção Coletiva, defensor público Ricardo Antunes Melro, um relatório confeccionado pelo professor Abel Galindo e o engenheiro Lucas Matar, apontando os danos estruturais nas residências da região, em decorrência da mineração da Braskem.

Conforme o engenheiro Lucas Mattar, para a confecção do laudo, foram visitadas 62 casas do Flexal de Cima e de Baixo, que ocupam cerca de 70 mil metros quadrados e cerca de 700 metros lineares de rua (Tobias Barreto e Faustino Silveira).

“Todas as residências apresentavam tipos de patologia, problemas que vinham ou de fundação, ou de sola. Como as 62 casas foram construídas em pontos distintos, desde o primeiro ponto, até o final da rua, nós levamos em consideração a possibilidade de ser um problema de solo e que, para o bem-estar da população, e os perigos eminentes que podem vir a acontecer, seria ideal que essas pessoas sejam evacuadas da região”.

“Como a gente vê que as patologias vão aumentando com o tempo, não é possível dizer quando haverá algum tipo de desabamento, mas a probabilidade de acontecer é muito provável, porque são problemas que vem crescendo e o solo está deixando tudo instável. Para a nossa residência, o solo é primordial, como ele está se movimentando é muito provável que, no futuro, ocorra algum tipo de desabamento. De acordo com relatos, isso pode acabar não demorando”, acrescenta o engenheiro.

Melro recorda que o professor Abel Galindo foi a primeira pessoa apresentar laudo demonstrando o problema que vinha atingindo a região do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e adjacências, por isso, no mínimo, precisa ser levado em consideração para aprofundar a análise do problema lá nos Flexais.

“Há um fato já comprovado e que, até o presente momento, a Braskem não mostrou vontade de resolver, que é o ilhamento socioeconômico que tem levado a população a passar por maus momentos, sem comércio, sem fonte de renda, uma área que se tornou inviável para a moradia aqui, na nossa capital, e que, até agora, nada, seja para compensar financeiramente as pessoas que trabalham no comércio, seja para realocar os moradores com as devidas indenizações”.

“Tudo indica que iremos levar o caso à justiça. Recebemos esses documentos de profissionais reconhecidos, muito capacitados, indicando problemas de ordem geológica na região, causada pelo trabalho da Braskem, pela mineração mal feita da Braskem e, mais que isso, já comprovado pela própria Defesa Civil do Município de Maceió, acerca do ilhamento e necessidade de realocação dessa população. Então, já faz muito tempo que a Braskem está ciente, assim como todos os órgãos, e infelizmente, não mostrou vontade de resolução administrativa. Por isso, tudo indica que isso vai para o justiça novamente.

Morador do Flexal há mais de 43 anos, o cidadão Maurício Sarmento destaca que espera que o laudo possa auxiliar no andamento da realocação.

“Estamos apostando todas as nossas esperanças no trabalho da Defensoria Pública, nas pessoas do Dr. Ricardo e dr. Carlos. A Defensoria Pública tem sido uma parceira na luta pela realocação daquela comunidade que não mais oferece as condições de moradia. Esperamos que o dr. Ricardo e dr Carlos possam mover a ação necessária para que essa comunidade seja compensada pelos danos causados pela mineração”.

A moradora Abilene Lourenço da Costa reforça que a realocação dando condições dignas para os cidadãos, com o pagamento de valores indenizatórios justos.

“A minha casa se encontra com rachaduras, já foram feitos dois exames da Defesa Civil. Primeiro falaram em reforma, agora, a assistência social apareceu me dizendo que eu preciso sair e ofereceu um aluguel social de R$ 250, 00, ao qual eu não aceitei. Agora, esse terceiro exame, feito pelo professor Lucas e Abel Galindo mostram que minha residência tem rachaduras e problemas gravíssimos”.