1 de março de 2024Informação, independência e credibilidade
Política

No Globo, a lista de Arthur Lira: Cargos, emendas e demissão de ministro

Segundo o colunista Bernardo Mello Franco, Lira não se sensibiliza com a pacificação do País e bota faca no pescoço de Lula por R$ 5,6 bi

Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados

Segundo o colunista de O Globo, Bernardo Mello Franco, os apelos para a pacificação do País não sensibilizam o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP).

Segundo ele, o que sensibiliza o deputado está na “lista: cargos, emendas e demissão de ministro”.

Franco destacou em artigo que “na quinta-feira, chefes dos Três Poderes se juntaram para retirar as grades que bloqueavam o acesso ao Supremo. Faltou alguém na foto: o presidente da Câmara, que preferiu antecipar o fim de semana em Alagoas”.

E acrescenta:

-Desde o início do ano, Lira busca se fazer notar pela ausência. Em 8 de janeiro, foi a única autoridade graúda que não participou do ato para celebrar a vitória da democracia sobre a ameaça golpista. Desfalcou uma solenidade realizada no Salão Negro do Congresso, a poucos metros de seu gabinete.

Na quinta-feira, o chefão da Câmara boicotou mais duas cerimônias que atraíram a elite do poder em Brasília: a abertura do ano judiciário e a posse do novo ministro da Justiça, no Planalto. Os eventos reuniram os presidentes da República, do Senado e do Supremo.

A lista do chefão da Câmara é extensa. Além de pressionar por mais cargos, Lira cobra a devolução de R$ 5,6 bilhões em emendas de comissão, cortados por Lula; a demissão do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha; e o apoio do presidente ao candidato que ele indicar para a própria sucessão, em fevereiro de 2025.

A carga contra Padilha não é só por antipatia pessoal. Lira quer recuperar o monopólio sobre a partilha e a liberação de emendas. O controle do dinheiro era a principal fonte de seu poder no governo Bolsonaro. Na gestão Lula, o Planalto voltou a ter balcão próprio para negociar com os parlamentares.

Em 2023, o chefão da Câmara manteve o governo sob tensão permanente. Deu declarações ameaçadoras, travou votações e quase implodiu a medida provisória que reorganizou a Esplanada. Com a faca do pescoço do presidente, arrancou o comando de dois ministérios e da Caixa Econômica Federal.

Pupilo de Eduardo Cunha, Lira aprendeu a nunca se dar por satisfeito. Ao que tudo indica, voltará do recesso com apetite renovado.