24 de fevereiro de 2024Informação, independência e credibilidade
Brasil

Novo diretor adjunto da Abin aponta indícios de uma ‘Abin Paralela’ no governo passado

Mauro Cepik foi nomeado para o lugar de Alessandro Moretti, que estava na agência desde o governo Bolsonaro

Mauro Cepik, novo diretor adjunto da Abin

O novo diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Marco Cepik  disse nesta quarta-feira, 31, que as apurações apontam, de fato, para uma “Abin paralela” instalada na gestão do então presidente Jair Bolsonaro.

A Abin é alvo de investigação da Polícia Federal por monitoramento ilegal de políticos e autoridades Cepik foi nomeado para o lugar de Alessandro Moretti — ligado ao clã Bolsonaro e demitido na terça-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante entrevista à GloboNews, Cepik destacou que o relatório da Polícia Federal e a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de autorizar diligências contra suspeitos, “dão a entender que o avanço das investigações apontam” para essa ação paralela na agência. “Temos de aguardar o processo, as investigações nas três instâncias e a administrativa e criminal”, disse ele.

Ele enfatizou que não é suficiente detectar se houve ou não esse esquema ilegal dentro da Abin. “Não só para saber se houve, mas quem estava ali. Houve agora também a decisão cautelar de afastamento de diversos policiais federais. O indício é que sim (existe uma Abin paralela)”, reiterou ele, um defensor da desmilitarização da agência e favorável que o órgão siga subordinado à Casa Civil.

Já Moretti defendeu sua passagem pelo órgão e afirmou que a investigação interna sobre uso indevido e ilegal do software espião First Mile se deu quando ele era diretor-adjunto da agência. Ressaltou, também, ter colaborado com as diligências da Polícia Federal.