O Processo de Eleições Diretas (PED) do Partido dos Trabalhadores, em Alagoas, tem suscitado uma série de histórias, estórias e até aleivosias por parte de gente com interesses, gente envolvida e gente na torcida para o quanto pior, melhor.
Há, nesse meio, gente que prega o clima de já ganhou e até “analistas políticos” que fazem prognósticos baseados no canto da sereia e, notadamente, em uma força incontestável: da “grana que ergue e destrói coisas belas”, como bem diz a canção.
É incontestável dizer que ao lado das duas principais candidaturas há gente de bons propósitos, que constituem uma parcela considerável do partido, preocupada com a história de luta e o futuro da legenda no Estado e no País.
Mas, é inegável que o processo é recheado de oportunismo. Há, em partes, um clima beligerante, mas não sábio.
Mas são, de fato, os interesses inconfessáveis que movem a discórdia entre as tendências diversas e uma militância que deixou de ser orgânica há muito tempo. No processo, até uma camada lúmpem foi atraída, sem o devido pertencimento da causa política.
De forma que por mais que haja gente graúda e poderosa envolvida, não há, no entanto, quem possa bater no peito altaneiramente e se dizer vitorioso nessa “guerra”, antes do tempo.
O jogo é duro. Bom seria que para vencer esse jogo houvesse luta de conteúdo político e de sã consciência. São poucos os que tentam fazê-la.
Quem quer que venha ganhar essa eleição interna para comandar o PT alagoano vai ter muito trabalho para apaziguar os ânimos e conduzir a casa a um processo de reflexão programática, exatamente para que a legenda não seja engolida nas eleições de 2026.
Ser contra não precisa ser inimigo. Ser contra não precisa ser desrespeitoso. E disso as lideranças precisam cuidar, para poder se apresentarem à sociedade como gente capaz de fazer a diferença na política, local ou nacional, de forma responsável.
Sem dúvidas, o PED é um instrumento democrático e valoroso, criado por um partido político no processo de antítese ao coronelismo partidário.
Mas para que isso ainda vingue é fundamental que as lideranças baixem as guardas, assumam seus postos e dialoguem. Conversem, pacientemente, pensando na construção de um futuro do segmento político, que hoje está na berlinda no País, em função dos interesses mais sórdidos de um parlamento que, sem dúvidas nenhuma, é o pior da história do Brasil.
Enfim, o resultado do PED pode não atender aos interesses de todos. Mas, pode muito bem trazer luz para abrir os olhos das lideranças e ainda trazê-las à noção, para soerguer a luta na defesa de uma legião que sofre, cotidianamente, com a discriminação e o preconceito de toda ordem, em Alagoas e no Brasil, onde uma camada da sociedade flerta com uma direita que sonha o sonho do supremacismo.
Enfim, há perigo na esquina.














