
A mais recente pesquisa realizada pelo Procon Maceió, nos dias 14 e 15 de agosto, escancara uma realidade que há tempos penaliza o bolso do consumidor: a diferença absurda de preços da cesta básica entre estabelecimentos da capital. Em tempos de renda apertada, ver o mesmo produto custando até o dobro, dependendo do local, é um retrato cruel das distorções do mercado.
O levantamento apontou discrepâncias gritantes. O feijão carioca, alimento indispensável na mesa do brasileiro, pode ser encontrado por R$ 4,39 em alguns supermercados e, em outros, a inacreditáveis R$ 8,99 – uma diferença de R$ 4,60. Já o arroz parboilizado, outro item essencial, vai de R$ 3,29 a R$ 7,49, o que significa que uma família pode pagar mais de R$ 4 a mais apenas por não ter condições de pesquisar.
Mas a campeã da disparidade foi a farinha de mandioca, variando de R$ 3,48 a R$ 9,90. Como explicar que o mesmo produto custe quase três vezes mais, sem que haja justificativa plausível além da lógica predatória de alguns estabelecimentos?
Os preços das proteínas, fundamentais para uma dieta mínima, também assustam. O músculo bovino chega a variar de R$ 30,99 a R$ 59,90 – quase R$ 29 de diferença em apenas um quilo de carne. Já o frango inteiro, tradicional substituto em tempos de crise, oscila de R$ 11,90 a R$ 21,64.
No cálculo final, a cesta básica completa vai de R$ 112,14 a R$ 214,23. Em outras palavras, uma família que não consegue pesquisar bem pode gastar até R$ 102,09 a mais para comprar os mesmos produtos. Trata-se de uma penalidade cruel contra os mais pobres, justamente os que menos têm acesso a tempo e transporte para comparar preços.
A disparidade de preços da cesta básica em Maceió é um sintoma de desigualdade social que transforma o ato de comer em um desafio diário.














