15 de agosto de 2022Informação, independência e credibilidade
Blog

Os políticos perversos e a religião como instrumento eleitoral

Separar o estado da religião foi um dos maiores avanços civilizatórios de grande parte da humanidade. Onde as leis religiosas imperam, mulheres são açoitadas e até mortas após serem estupradas, sob a acusação de “sexo fora do casamento”. Gays são atirados de cima de prédios e todo o tipo de barbaridade é cometido em nome do “amor divino”, da família e dos “bons costumes”.

Por isso, é retrocesso, sim, o que Bolsonaro falou hoje (28), em Maceió, no show de horrores que foi a entrega de conjuntos habitacionais na orla lagunar – o que foi aquilo, Biu de Lira? Chamar um eleitor de “filho da puta” e falar esperneando como um menino atrevido não é bonito, não. Mas, para quem venceu uma eleição para senador com aquelas dancinhas, na era pré-Tik Tok, não surpreende a performance, digamos, teatral.

Já o presidente, candidato à reeleição, falou que governará segundo a Constituição (que ele insiste em atacar quando acuado em seus crimes) e a Bíblia “Sagrada”.

Que mané Bíblia, o quê? O Estado brasileiro é laico, não farisaico, como Bolsonaro e seus asseclas gostam.

Um gestor público deve governar para todos, sem exceção. Todas as composições familiares merecem o respeito e o acolhimento, ao contrário do que praticam os religiosos do naipe bolsonarista.

Até porque a própria família dele não segue os preceitos bíblicos. Bolsonaro está no terceiro casamento, o que Deus não permite. De acordo com o livro mitológico, um casamento somente se desfaz em caso de morte da “conja” ou do “conge”, ou de chifre, desde que a pessoa que traiu (admitamos que só a mulher) morra a pedradas.

Que eu saiba, as ex-mulheres do rapaz estão vivas e, se os dois casamentos anteriores dele foram desfeitos por conta de gaia, ninguém foi punido com a morte como orienta o livro que essa gente considera como um manual de vida.

Por isso, não me surpreendo com a postura perversa desse povo diante de casos de estupro envolvendo até meninas. Porque a Bíblia é clara: estuprou, tem que casar (Deuteronômio 22: 28,29).

Se um homem estiver infeliz com a esposa, pode devolvê-la ao pai e dizer que ela não era virgem ao se casarem. A infeliz, além de engolir a calúnia, ainda tem que morrer apedrejada (Deuteronômio 22:13-21).

A religião é um instrumento de dominação das massas e uma espécie de escudo para gente perversa esconder o seu mau-caratismo. Bolsonaro sabe usar muito bem os dois lados dessa moeda.