20 de abril de 2021Informação, independência e credibilidade
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Peguem o doido, antes que seja tarde demais

Bolsonaro, O Louco, precisa ser parado

Pessoas com a saúde mental, no Brasil, muito em breve serão tratadas com arrependimento e reza. E isso não é piada.

Se Bolsonaro levar adiante o plano denunciado pela revista Época nesse fim de semana, os falsos profetas ficarão mais ricos e poderosos do que nunca.

Segundo a reportagem, o governo federal pretende extinguir 100 portarias que garantem programas e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) na área de saúde mental, o que vai deixar milhares de pessoas desamparadas.

A iniciativa privada e, notadamente, as igrejas já esfregam as mãos com a enxurrada de recursos públicos que podem abocanhar. É o governo de direita sendo governo de direita.

No caso dos pastores, a situação ainda é mais grave, pois eles terão acesso a pessoas em uma situação de vulnerabilidade do jeito que eles gostam de iludir e explorar. Há bons pastores? Sim! Mas eles não se envolvem com esse tipo de político. Eles estão ocupados dado assistência espiritual aos seus rebanhos.

Mas, na maioria dos casos, cabeças vazias e desesperadas são oficinas de pastores. Igrejas cheias são sinônimo de políticos da pior espécie se perpetuando no poder, mesmo que não tenham compromisso nenhum com a sociedade. Bolsonaro está aí para não me deixar mentir.

Ele tem cumprido a promessa de fazer o Brasil ser o que era há 40 anos, ou seja, se elegeu prometendo retrocesso e a massa parece estar satisfeita, segundo pesquisas de opinião.

Por exemplo, lembro que quando era criança via os preços subirem do dia para a noite nos supermercados. Isso quando não subiam à tarde, diante dos tiques incessantes das maquininhas que marcavam os preços nos produtos, unidade por unidade.

Além da alta nos preços, temo que tenhamos de encarar a escassez e o sumiço de produtos das prateleiras, como no final dos anos 80, na Era Sarney. No grande varejista em frente ao condomínio em que eu moro, o aviso é claro: “Limite de X ou Y unidades por cliente”. Xiiiii…

Naquela época, poucas famílias tinham carro. O acesso à energia elétrica não era democratizado. Prestação da casa própria era a peste! Você começava pagando mil e quando menos esperava já estava em oito mil. Não tinha essa de parcela decrescente não. Saber quanto vai pagar de prestação é coisa de comunista, né?

As mazelas de antigamente que estão voltando me deixam angustiado, principalmente, ao ver que muitos, cegos pelo deus Mamon, acham tudo isso uma maravilha. São os pobres de direita, tão bem descritos por Tim Maia.

O desmonte do Estado e o avanço dos vendilhões do templo sobre a coisa pública tem que ser contido. É preciso parar Bolsonaro e respeitar a laicidade do Estado. A religião só é bonitinha nos seus escritos milenares.

Na prática, elas são cruéis com os excluídos, como os doentes mentais. Podemos tomar como exemplo Moçambique.

De acordo com o portal alemão Deutsche Welle, lá, as pessoas com doença mental são tratadas como se estivessem com um espírito maligno.

A reportagem fala sobre o relatório da Human Rights Watch (HRW), intitulado “Viver acorrentado”. Ele evidencia que pessoas com deficiências psicossociais foram acorrentadas e confinadas em condições desumanas em 60 países.

Leia este trecho:

Um dos investigadores do relatório, Samer Muscati, diretor adjunto da divisão dos direitos das Pessoas com Deficiência da HRW, relatou à DW que, em Maputo, testemunhou em primeira mão, “um homem numa igreja que tinha as pernas atadas a um pau de madeira e os braços presos num colete-de-forças, simplesmente porque tinha um distúrbio mental”.

Quando Muscati visitou a igreja o homem estava a tentar matar-se “porque estava a ser mantido num quarto muito pequeno atrás da igreja. Foi por isso que o trouxeram para a rua e o amarraram”, relata.

Pois é, vamos assistir a este maluco destruir uma rede de proteção psicossocial construída a muito custo, por especialistas, para instituir o curandeirismo?

Estes animais anticiência merecem estar do outro lado do muro. Qual? O de dentro das casas de apoio a doentes mentais.