14 de junho de 2024Informação, independência e credibilidade
Política

Pesquisa revela os maiores focos de rejeição dos presidenciáveis

Bolsonaro é fraco entre mulheres e no Nordeste, região problema também atrapalha Alckmin; Marina e Ciro Gomes não vão bem entre jovens

Em pesquisas DataFolha realizadas nos últimos 30 meses, revelou-se que os principais presidenciáveis enfrentam focos de rejeição que resistem ao tempo. Apesar de na intenção de votos estes apresentam subidas, quedas e oscilações, nenhum dos candidatos conseguiu reagir diante de seus principais pontos fracos.

Em 2015, havia um empate técnico entre Marina Silva (Rede), com 24% das intenções de voto, e Lula (PT), com 21%, seguidos de Geraldo Alckmin (PSDB), com 14%. No pelotão de baixo, Ciro Gomes (PDT), com 7%, e Jair Bolsonaro (PSL), com 5%. Desde então, Lula e Bolsonaro cresceram, enquanto Marina e Alckmin caíram. Ciro se manteve estável. Atualmente, o instituto mostra Lula na liderança, com 30%. Bolsonaro em segundo, com 17%, seguido por Marina (10%), Ciro (6%) e Alckmin (6%).

Lula

As pesquisas do Datafolha mostram que o principal trunfo do ex-presidente Lula é o eleitorado que só tem o ensino fundamental, pobre, com renda familiar de até dois salários mínimos, e do Nordeste, região em que ele atinge 49% das intenções de voto. Essas faixas são o foco do Bolsa Família, carro-chefe do lulismo.

Por outro lado, o eleitorado mais rico, mais escolarizado e que mora no Sul e no Sudeste se revelam um problema. Entre os que têm renda familiar mensal de mais de dez salários mínimos, apenas 14% mostram intenções de voto.

Bolsonaro

Bolsonaro mais que triplicou suas intenções de voto até o início de 2018, quando parou de crescer, mas também manteve os mesmos pontos fracos. Seu desempenho é elevado entre o eleitorado masculino (23%), jovem (26%) e que tem renda familiar maior do que cinco salários mínimos, ou 30% do total.

Seus pontos fracos são o eleitorado feminino (11%), acima de 45 anos (12%) e que mora no Nordeste (8%). A região, muito visitada por ele recentemente, reúne 27% do eleitorado nacional. O deputado é contrário aos programas sociais e tem como única medida eficaz de combate à miséria e a criminalidade o controle de natalidade da população pobre.

Agora, defende o Bolsa Família. Ainda assim, não avança muito entre as mulheres: ele já defendeu a tese de que elas ganhem menos do que os homens porque engravidam.

Marina

Em dezembro de 2015, Marina Silva tinha a preferência de 32% dos jovens (16 a 24 anos), contra seus 24% das intenções de voto totais. Agora, o apoio entre os jovens é de apenas 10%, o mesmo do seu eleitorado como um todo. Sua fraqueza é na fatia mais rica da população e que mora na região sul. Nenhum dos entrevistados com renda maior do que dez salários mínimos a apontou como preferida na pesquisa de junho, uma tendência apresentada em todas as pesquisas.

Ciro e Alckmin

Ciro Gomes tem como ponto forte os eleitores mais ricos, 11% contra 6% de seu total. Seu problema é com os jovens, alcançando apenas 3% deles. Já Alckmin, que perdeu terreno para Bolsonaro nesses 30 meses, mantem resultado ligeiramente melhor no Sudeste e entre brasileiros mais ricos. Seus pontos fracos, porém, estão nas regiões Nordeste, Norte e Sul, onde não marcou em nenhuma delas mais do que 3% das intenções.