27 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Alagoas

PL do “Passaporte da Vacina” não é tema de unanimidade na ALE de Alagoas

Cabo Bebeto questionou eficácia das vacinas e Albuquerque diz que medida “constrange” cidadão

projeto de lei nº 689/2021, que dispõe sobre a obrigatoriedade do comprovante de vacinação contra a Covid-19 para atendimento em estabelecimentos públicos e privados que prestam serviços à coletividade no Estado, o chamado “Passaporte da Vacina”, gerou debate no plenário da Casa durante a sessão ordinária desta terça-feira (5).

A proposta é de iniciativa do deputado Ronaldo Medeiros (MDB) e tem como objetivo alertar a população sobre a importância dos imunizantes, não apenas para a saúde individual, mas de toda a população, além de ajudar no combate à propagação de notícias falsas sobre a eficácia das vacinas, conforme vêm sendo replicadas por grupos anti-vacinas.

Em pronunciamento, o deputado Antonio Albuquerque (PTB) se disse contrário à proposta, sob o argumento de que a mesma tira do cidadão alagoano o direito a sua individualidade e impõe a todos uma situação de constrangimento.

“Entendo que, caso seja aprovada, a iniciativa irá submeter o cidadão ao constrangimento de ter que andar ostentando um passaporte que lhe garanta o direito constitucional de ir e vir”. Antonio Albuquerque.

O deputado do PTB argumenta ainda que não há comprovação de que a vacina contra a Covid-19 seja cem por cento eficaz. Por conta disso, o deputado informou que irá protocolar um projeto de lei com a finalidade de vedar a exigência do comprovante de vacinação, como requisito para a realização de atendimento médico, ingresso nas escolas e em ambientes públicos.

Outro que também se contrapôs ao projeto de lei foi o deputado Cabo Bebeto (PTC). Ele disse que não tem nada contra a vacina, mas também é de opinião de que os imunizantes não têm eficácia garantida.

“Acho a vacina importante, mas existem casos de pessoas que tomaram as duas doses e faleceram. A vacina, segundo alguns, ameniza os sintomas, ela é bem-vinda, mas não garante a imunidade”. Cabo Bebeto.

O bolsonarista acrescenta ainda que a obrigatoriedade do cartão de imunização termina por iludir as pessoas.

Negacionistas

Os deputados Cabo Bebeto e Antonio Albuquerque possuem sua cota de negacionismo. O primeiro, que segue contra algumas das medidas que impedem o avanço de contágio do novo coronavírus, em especial o isolamento social,  em maio do ano passado, se mostrou contrário ao uso obrigatório de máscaras e chegou a questionar em postagem o número de mortos em Alagoas:

Ele também já defendeu o uso da hidroxicloroquina e falou que hospitais particulares fazem o tratamento precoce e questionou por que isso também não faz parte dos protocolos dos hospitais públicos. A hidroxicloroquina, no entanto, não serve para Covid-19.

Uma de suas frases infames foi dita em 23 de abril de 2020, quando, contrário aos decretos, afirmou que preferia ‘ficar 1 minuto sem respirar do que morrer de fome’. O problema é que com a Covid-19, muitas vezes, os pacientes ficam sem respirar para sempre.

Já Albuquerque, ainda recentemente, criticou a CPI da Pandemia e afirmou que as vacinas ainda são um experimento. E tendo sido um dos primeiros deputados infectados pela Covid-19, logo no início da crise mundial, ele já reclamava da “ditadura do decreto”.

Em 8 de maio do ano passado, quando testou positivo para covid-19, o deputado. Antonio Albuquerque bradou contra o uso de máscara e contra o decreto em frente ao prédio onde mora, na Ponta Verde.

Novamente, estes foram os que se posicionaram contra a proposta do Passaporte da Vacina.

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Por outro lado, ao defender sua proposta, o deputado Ronaldo Medeiros disse não entender o argumento de que a vacina não faz efeito.

“Ouço justamente o contrário da Organização Mundial da Saúde, quando afirma que a vacina é eficaz. Tanto é que, aqui no Brasil e em Alagoas, as internações e as mortes estão diminuindo. Isso é o avanço. Não tem outro argumento. Isso é a ciência agindo. Alguém que não está vacinado pode contaminar outras pessoas. Este direito individual de ir e vir não pode e não deve se sobrepor ao direito coletivo”. Ronaldo Medeiros.