2 de março de 2024Informação, independência e credibilidade
Política

Prefeitura de Maceió “inaugura” o “Natal de Quase Todos” e exclui população LGBTQIA+

Prefeito amigo de Carlinhos Maia desligou as luzes da orla para afetar a marcha apoiada pelo Governo do Estado

 

No último domingo (26), a Marcha Gay em Maceió, apoiada pelo Governo do Estado de Alagoas, tornou-se mais um capítulo da disputa política contra a Prefeitura de Maceió, que transformou seu “Natal para Todos Nós” em um escancarado “Natal de Quase Todos”.

O trajeto da marcha, inicialmente planejado para ocorrer na orla de Maceió, sofreu alterações e várias intervenções por parte da prefeitura na esfera jurídica. O Grupo Gay de Alagoas (GGAL) e a Prefeitura de Maceió apresentaram ordens judiciais divergentes sobre o ponto de partida do evento.

Diante de tamanha confusão, os trios foram deslocados para a Praia de Sete Coqueiros, de onde a parada seguiria até o Estacionamento de Jaraguá. A Prefeitura então cancelou a programação natalina e apagou as luzes. A parada, prevista para começar às 14h, teve início às 18h, finalizando com shows no estacionamento de Jaraguá a partir das 20h.

O prefeito JHC, amicíssimo de seu maior apoiador nas redes sociais, Carlinhos Maia, excluiu assim parte significativa de sua população. Uma espécie de represália desproporcional à ação do Governo do Estado, que, semanas atrás, tentou impedir a construção da árvore de Natal da Prefeitura – feita, inicialmente, sem autorização e em área de responsabilidade do Governo do Estado.

Maceió, vale lembrar, é a única capital nordestina onde Jair Bolsonaro (PL) superou Lula (PL) nas últimas eleições. Portanto, conservadora (e até certo ponto retrógrada), Maceió é a capital de um Governo Estadual que tenta adotar uma postura mais liberal, como com o apoio a essa Marcha Gay, antecipando como será o clima nada amistoso para as eleições municipais de 2024.

O preconceito bolsonarista, evidenciado nas falas recentes do deputado mineiro Nikolas Ferreira (que na igreja de Silas Malafaia afirmou na semana passada que gays vão queimar no inferno), encontra eco nas atitudes da prefeitura. Não dá nem para dizer que é pura homofobia, mas há muita política também.

Sim, há o medo idiota daqueles que acham que os mais jovens serão convertidos (afinal, é “Adão e Eva, não Adão e Ivo”) ou que eles mesmos trocariam de time caso convivessem demais com essas coisas do capeta, mas tudo se resume no voto. Maceió é uma cidade conservadora, que votou em peso com Bolsonaro, e na orla onde haveria a marcha até hoje há as bandeiras do Brasil chorando pelo resultado das eleições.

E o prefeito JHC, que se filiou ao PL de Bolsonaro (que nem poderá ser candidato por mais de 4 anos), quer os votos destes religiosos de mente fechada. Jesus veio para morrer propagando o amor, dando a outra face para agressões e pedindo perdão pelos nossos pecados, mas mesmo assim ainda há um exército que tem o Livro de Levítico como sua única regra, jogando todos os ensinamentos no lixo.

À medida que nos aproximamos das eleições do próximo ano, a polarização política de Maceió se intensifica. A disputa entre o atual prefeito, favorito à reeleição, e o candidato a ser escolhido pelo governo estadual promete refletir essas divergências.

De qualquer forma, o “Natal de Quase Todos” torna-se, assim, um microcosmo das tensões políticas que moldarão o futuro das eleições do próximo ano. E olha que, com tudo isso, dá-se como certo que JHC venceria fácil.