Pressão sobre Eduardo Bolsonaro aumenta com processo de cassação e isolamento

Câmara nega liderança da minoria ao deputado, instaura processo ético e inclui nome em cadastro de devedores

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) enfrentou uma série de revezes políticos nesta terça-feira (23), em um movimento interpretado como ameaça direta ao seu mandato.

As ações incluíram a recusa do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em homologá-lo como líder da minoria, a instauração de um processo de cassação no Conselho de Ética e a inclusão de seu nome no cadastro de devedores da União por faltas injustificadas.

O dia começou com a negativa de Motta à manobra do PL, que visava proteger Eduardo da perda do mandato por ausências. A Constituição estabelece a cassação para parlamentares que faltam a um terço das sessões ordinárias do ano sem justificativa. A decisão foi lida nos bastidores como um alinhamento do centrão com ministros do STF, como Alexandre de Moraes, no contexto de um acordo para reduzir penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, em detrimento da proposta bolsonarista de anistia ampla.

Posteriormente, o Conselho de Ética da Câmara instaurou formalmente um processo de cassação contra o deputado por ataques ao STF e ameaças à realização das eleições de 2026. O relator será escolhido por sorteio entre os deputados Duda Salabert (PDT-MG), Paulo Lemos (PSOL-AP) e Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG). A Casa também comunicou a inclusão do nome de Eduardo no Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal) devido a um débito de R$ 13.941 referente a faltas em março.

O cenário de isolamento foi ampliado no plano internacional. Durante a Assembleia Geral da ONU, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter tido “uma excelente química” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pegando o bolsonarismo de surpresa. Eduardo Bolsonaro reagiu nas redes sociais, destacando trechos do discurso de Trump que criticam o Brasil por “perseguição judicial”, mas a declaração positiva sobre Lula foi vista como um desgaste adicional para a ala bolsonarista.

Nos bastidores, o deputado também alimenta conflitos internos ao afirmar a interlocutores que será candidato à Presidência em 2026, com ou sem o apoio do pai, Jair Bolsonaro. A intenção declarada da maior parte do centrão e do bolsonarismo, no entanto, é convergir para uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

As ofensivas desta terça ocorrem um dia após a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciar Eduardo por supostamente patrocinar, a partir dos EUA, uma tentativa de coagir a Justiça brasileira.

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