12 de julho de 2024Informação, independência e credibilidade
Cultura

Quase fui preso no aeroporto da Azul por causa da irmã da Mazé

Eu que sempre fui do vermelho fiquei azul no raio X

A hora da verdade no aeroporto

Nunca fui de torcer pelo azul. Só mesmo pelo céu ensolarado até aparecerem as estrelas em noite de primavera, na pequena Paulo Jacinto, terra da minha gente, do meu pertencimento.

E quando menino era assim. Se tinha cavalhada, torcia pelo vermelho. Montado no cavalo branco, Joaquim Cassiano, cavaleiro alvirrubro, era sempre o campeão.

No futebol ficava no lado vermelho; no pastoril, torcia pela mestra, geralmente uma conterrânea bonita de deixar marmanjo zarolho. A contra mestra era do azul.

Se algum dia torci pelo azul foi um rio que passou em minha vida, tal como o samba de Paulinho da Viola. Regatiano eu sou desde que me entendo de gente.

Então, azul até que visto umas camisas de algodão. Depois disso, só nas águas do mar da Pajuçara-Ponta Verde, em Maceió, as mais lindas praias do País, onde todo e qualquer turista adora mergulhar. E nós nativos ainda mais.

Mas, como nativo das bandas de cá, decidimos viajar ao sudeste para visitar os familiares de Regina, minha mulher, que nasceu em Guararapes (SP), depois de Araçatuba.

De Maceió a Guarulhos fizemos um voo que chegou na madrugada. Feito o desembarque, partimos direto para o hotel. Após o descanso foi preciso pegar o transfer para Campinas para embarcar em um avião da Companhia Azul, com destino a Araçatuba, cidade vizinha a Birigui, onde a mulher tem parentes: irmãos e uma infinidade de sobrinhos.

Depois do chekin, discutimos que precisaríamos antecipar a nossa volta de Araçatuba para São Paulo. Fomos à loja da Azul no aeroporto e suspeito que alguém percebeu que éramos nordestinos e o atendimento foi sofrível. Só éramos nós, sem fila. Precisou sair um jovem de dentro de uma sala para nos encaminhar a um guichê.  Loiras e morenas no balcão pareciam que estavam vendo dois ETs.

Enfim, uma morena chama, recomendada pelo jovem líder, e pergunta o que estávamos querendo. Apresento-lhe o voucher e questiono se é possível antecipar a viagem da terça para a segunda-feira.

Ela faz a pesquisa e depois de um certo tempo diz que não pode. Pergunto a razão e ela é lacônica: – Por que o senhor comprou pela Decolar. E retomo: – -Mas os bilhetes são da Azul…  -Ela então retruca: – Resolva com a Decolar.

Fiquei frustrado, com a cara de tacho e tive que sair para ela atender o próximo. Lembrei dos tempos de menino, quando as pessoas viajavam do Nordeste para São Paulo, em transporte pau de arara. Creio até que senti saudades..

Só que não terminou. Tinha que ir para o salão de embarque do aeroporto Viracopos para seguir a viagem até a Araçatuba. E foi aí que tomei um susto. Se tem uma droga que gosto é uma cerveja bem gelada. Mas, só tinha bebido uma long neck no almoço.

Ingresso no salão e vamos passar na fiscalização com as máquinas detectoras de tudo que não presta. Tirei o computador da mochila, celular e moedas, coloquei em uma bandeja e a mochila em outra. Em seguida uma pequena mala de 10 kg. Tudo seguiu pela esteira e eu logo passei pelo monitaramento, tranquilo e feliz.

Só que quando vou pegar a mochila, o inspetor que controla os equipamentos chamou uma colega e mostra o raio X. Ato contínuo, eles da fiscalização me mandam devolver a mochila e a mala para nova passagem na esteira.

Estranhei, preocupado, mas atendi sem questionar. Passou tudo de novo e a autoridade veio e me mandou abrir a mala e a mochila para inspeção. Aí já fiquei a imaginar o que diabo estava acontecendo. Teriam me confundindo com um traficante?

Ela abriu tudo, pesquisou, cueca, bermuda, sandália, tênis, ou seja, tudo que estava dentro da mala. De repente, levanta um pacote pequeno em saco plástico e mostra ao colega: -Está aqui!

E eu de olhos arregalados: -Que porra é isso? -Ela: -Me diga o senhor!

Foi aí que Regina chegou perto e disse: -Moça, isso aí é uma rapadura que eu trouxe do Nordeste para minha irmã Mazé.

A autoridade checou e disse: -Ah, isso é uma delícia…

Eu que já estava vermelho de raiva, fiquei Azul. De sede.