22 de maio de 2024Informação, independência e credibilidade
Marcelo Firmino

Que floresçam rosas no meio político, que é sutil como teia de aranha e rasteiro feito cobra

Trata-se de um mundo dominado por uma elite machista viciada nas benesses do poder.

É estarrecedor como a política em Alagoas tem sido área de domínio de núcleos familiares, com raríssimas exceções. Historicamente, tem sido de pais para filhos e, notadamente, membros de uma elite machista apegada às benesses do poder.

O empoderamento neste caso serve a interesses bem específicos, como manter sobre controle tudo e todos, de preferência.  Normalmente, funciona em uma linha que o controle vai do sempre disposto guarda da esquina a instituições tradicionais na cadeia de comando.

São raros os casos dos que conseguem chegar ao parlamento ou ao Executivo sem esse lastro do elitismo político. E os que chegam, se não habitam o meio familiar, logo percebem e sentem o peso da discriminação e do descaso.

Quando o industrial João Lira decidiu apoiar a campanha de Cícero Almeida para prefeito de Maceió em 2004, logo uma grande parte da elite o acompanhou pelo que representava o usineiro na campanha, que inclusive indicou a filha Lourdinha Lira para ser a vice.

Cícero governou dois mandatos e deixou a Prefeitura com 82% de aprovação popular. Foi, de fato, o prefeito que mudou a estrutura da cidade, mas não mudou a política.

Sofreu na pele também com a discriminação e a pressão exacerbada, exatamente por não ser do meio elitista. A pressão era tanta, que uma pedra solta em uma calçada da orla marítima virava um bicho de sete cabeças na cobrança do trade turístico e moradores da área.

Na política, a elite acolhe os seus. Via de regra propaga que são os melhores, os santos, os honestos e preparados para o mandato. E quem vai dizer que não?

Há quem diga, sim. Mas são vozes que não costumam ser ouvidas. Embora, de vez em quando, surge uma voz que se estabelece e vence pela competência demonstrada em atividades profissionais ou em algum campo de trabalho representativo e solidário.

Há exemplos e estão aí para quem quiser ver. Nesse meio, algumas mulheres mostraram dentro da política que é possível emergir no emaranhado mundo político e desafiar sua lógica predominante dos machos.

No passado, mulheres como Selma Bandeira, Célia Rocha, Jarede Viana, Terezinha Ramires, Heloísa Helena, Genilda Leão e Kátia Born mostraram claramente outra realidade na Câmara de Maceió, na Assembleia Legislativa, no parlamento nacional e na prefeitura da capital.

Fizeram histórias com a capacidade intelectual necessária para o bom debate republicano e determinado. Mais ainda: Sem achincalhes, nem bizarrice, como se tornou comum nas casas legislativas de então.

Que outras mulheres se apresentem para as eleições municipais deste ano. É fundamental. Enfrentar os núcleos familiares viciados nas benesses do poder é uma necessidade. E que a sociedade assim entenda.

Quem sabe a política alagoana não consiga levar adiante o legado dessas mulheres guerreiras e batalhadoras que honraram os mandatos que ocuparam. Tal como faz hoje a vereadora de Maceió, Teca Nelma.

E bom saber que a presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA/AL), Rosa Tenório, se lançou como pré-candidata a vereadora de Maceió.

Trata-se uma mulher empoderada, capacitada e preparada para o enfrentamento desse intricado meio político, sutil feito teia de aranha e rasteiro como cobra cascavel.

Oxalá, outras Rosas apareçam e vençam nesse meio, onde uma maioria de homens costuma transformar seus eleitores em moscas mutiladas.

E que assim rosas floresçam.