1 de dezembro de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

Queimadas no Pantanal fazem até mesmo Salles se render: “Proporção gigantesca”

PF já levanta suspeita de que o fogo tenha sido utilizado para remover a vegetação natural e transformar a área em pastagem para gado

Apesar da campanha nas redes sociais para dizer o contrário, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, admitiu que o incêndio no Pantanal tomou uma “proporção gigantesca”.

Ele ainda se esquiva da situação na Amazônia, se dando ao luxo até de bater de frente contra Leonardo DiCaprio nas redes sociais, mas em entrevista exclusiva à Rádio Bandeirantes, na manhã desta terça-feira (15), no Jornal Gente, ele se rendeu ao nível de destruição na região:

“De fato o prejuízo a nossa fauna ele é grande, a flora e a parte de vegetação ela se recompõe, agora não pode ser um fogo da proporção gigantesca que está sendo então por isso que estamos combatendo fortemente”. Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente.

Empurrando para o clima a situação, Salles ainda assim defendeu a cultura do uso de fogo controlado, apesar do cenário de destruição:

“Nós precisamos ter essa visão que certas técnicas conhecidas de maneiras centenárias, que é o uso de fogo controlado, a queima controlada, serve para limpar o pasto e quando não faz isso quando vem um incêndio com todo o material depositado em solo o incêndio se torna de muito maior proporção para além da questão climática”. Salles.

Estima-se que entre 10 e 15% da área do Pantanal já tenha sido devastada pelo incêndio. Mesmo assim, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) diminuiu o ritmo das operações de fiscalização em Mato Grosso do Sul em 2020.

A queda se reflete nas multas aplicadas: autuações relacionadas à vegetação (como desmatamento e queimadas ilegais) caíram 22% em 2020, em comparação com o mesmo período do ano passado. Mesmo diante de sua maior crise em décadas.

PF

A Polícia Federal diz que o incêndio que destruiu 25 mil hectares de áreas de preservação ambiental no Pantanal, em Mato Grosso do Sul, não foi acidental. A suspeita é que o fogo tenha sido utilizado para remover a vegetação natural com o objetivo de transformar a área em pastagem para gado.

Na manhã desta segunda-feira (14), a PF iniciou a Operação Matáá em busca dos responsáveis pelas queimadas nestes 25 mil hectares, que ficam em áreas de preservação permanente (APPs) e na serra do Amolar.

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