Redes sociais premiam a ignorância, alerta Miguel Nicolelis

Neurocientista critica lógica digital que amplia fake news e dificulta discernimento entre o real e o fútil
Miguel Nicolelis | Divulgação

O neurocientista Miguel Nicolelis fez um duro alerta sobre os impactos das redes sociais na formação de opiniões e no comportamento coletivo. Para ele, plataformas digitais acabaram por criar um ambiente em que “falar bobagens gera mais reconhecimento”, estimulando a propagação de desinformação e a valorização do fútil em detrimento do real.

Segundo Nicolelis, essa lógica seria não apenas um efeito colateral, mas parte do próprio modelo de negócios das redes, que priorizam engajamento a qualquer custo. O resultado, avalia, é a fabricação de “imbecis digitais”, indivíduos incapazes de distinguir fatos de fake news, que se espalham com a velocidade de um vírus.

A crítica vai além da superficialidade dos debates virtuais. O cientista alerta para o risco de erosão do pensamento crítico, essencial para a democracia e para a tomada de decisões em sociedade. “As pessoas estão sendo moldadas para perder a capacidade de discernimento”, reforça.

Pesquisas recentes corroboram a avaliação de Nicolelis, apontando que algoritmos privilegiam conteúdos sensacionalistas e polarizadores, justamente por gerarem mais cliques e compartilhamentos. Nesse ambiente, informações sérias e verificadas tendem a ter menos alcance, enquanto narrativas falsas se multiplicam.

O impacto, destaca o neurocientista, não é apenas informacional, mas também cultural. A banalização do discurso raso cria terreno fértil para líderes populistas e estratégias políticas baseadas em fake news. Para Nicolelis, a sociedade precisa refletir sobre como frear esse processo antes que o dano se torne irreversível.

Especialistas defendem medidas como regulação mais firme das plataformas, incentivo à educação midiática e fortalecimento do jornalismo profissional. Sem isso, avalia Nicolelis, o futuro da esfera pública corre o risco de ser sequestrado por um “mercado de desinformação” que premia a ignorância e mina a capacidade coletiva de enfrentar desafios reais.

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