24 de fevereiro de 2024Informação, independência e credibilidade
Brasil

Relatório da PF diz que ABIN também foi usada para promover ataque às urnas eletrônicas

Além do ataque às urnas, agência trabalhava para ligar opositores de Bolsonaro ao PCC

Abin “paralela” foi criada no governo Bolsonaro

Estão na Polícia Federal (PF) arquivos importantes da operação que envolve o ex-diretor geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, acusado de tentar produzir provas que relacionassem ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e deputados federais de oposição ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A informação consta em relatório enviado ao STF para pedir buscas em endereços ligados ao deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin, e a outros servidores da agência na Operação Vigilância Aproximada, deflagrada nesta quinta (25).

“As ações apresentaram viés político de grave ordem representando mais um evento de instrumentalização da Agência Brasileira de Inteligência”, defende a PF.

Ainda de acordo com as informações da Polícia Federal a estrutura paralela da Abin foi politizada e promoveu “ações de inteligência” para atacar as urnas eletrônicas. “O evento relacionado aos ataques às urnas, portanto, reforça a realização de ações de inteligência sem os artefatos motivadores, bem como acentuado viés político em desatenção aos fins institucionais da Abin”, diz a PF

Ramagem é investigado porque, segundo a PF, teria autorizado investigações paralelas, sem autorização judicial e sem indícios mínimos de materialidade que justificassem as apurações. Procurado pela reportagem, ele ainda não se manifestou.

A investigação foi aberta depois que a PF descobriu que a Abin usou o software First Mile para monitorar adversários políticos de Bolsonaro.