29 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
Justiça

Rosinha da Adefal é condenada pela Justiça Federal por esquema de desvio de dinheiro

Gestora da pasta da Pessoa com Deficiência do DF vai perder funções públicas por crimes cometidos quando era deputada federal

Roseane Cavalcante Estrela, a Rosinha da Adefal, foi condenada pela Justiça Federal por peculato. A decisão do juiz Vallisney de Oliveira refere-se ao período em que Rosinha era deputada federal, entre 2011 e 2013.

Hoje secretária da Pessoa com Deficiência do DF, Rosinha se envolveu em um suposto esquema de desvio de dinheiro vinculado ao aluguel de carros. O empresário Emerson Novais Duarte também foi condenado.

O Ministério Público Federal (MPF) afirma que os investigados desviaram mais de R$ 518 mil ao simularem supostos aluguéis de carros entre fevereiro de 2011 e novembro de 2013. Rosinha era deputada federal e a Câmara dos Deputados ressarcia a despesa declarada em notas frias emitidas pelo empresário Emerson Novais.

Multa, perda de cargo e 1.460 horas de serviços gratuitos

A decisão judicial prevê que ambos percam as funções públicas que não sejam oriundas de concurso. Vallisney de Oliveira ainda determinou quatro anos de reclusão para cada um dos réus, pena de 25 dias-multa, à razão de um salário mínimo vigente à época dos fatos, para cada dia de multa.

O magistrado substituiu a prisão por penas alternativas: 1.460 horas de serviços gratuitos à sociedade e o pagamento de R$ 30 mil aos cofres públicos.

Também deverão quitar R$ 80 mil, cada um, como reparação dos danos. Esses valores impostos pela sentença criminal não impedem futura ação civil que vise especificamente o ressarcimento dos prejuízos causados.

O crime

De acordo com o processo, no início de 2011, a então deputada Rosinha da Adefal contratou a empresa de Emerson, ENM Duarte, para alugar quatro carros – todos com mais de cinco anos de uso – sob o custo de R$ 12,8 mil mensais.

O MPF apurou que os pagamentos sempre foram feitos em dinheiro, diretamente ao empresário. Nesse aspecto, o MPF verificou haver superfaturamento no valor e constatou que não foi feita pesquisa de mercado para a contratação.

“Na verdade, o referido contrato foi apenas repetido nos mesmos moldes, valores e placas de veículos negociados anteriormente com um antigo deputado federal por Alagoas, que não foi reeleito”. Trecho da Ação do MPF.

No decorrer das investigações, foi apurado que quase todos os carros locados pertenciam a terceiros e não a Emerson.