25 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Sem doses suficientes, vacinação no Brasil só deve ser completada em 2022

Não há quantidade suficiente nem para a primeira fase, que engloba menos de 7 milhões de pessoas

Após a autorização da Anvisa no domingo (17), o Brasil já tem vacinas contra a covid-19. Mas a atual quantidade é pouca. No momento, não existem datas marcadas para as fases do plano de imunização e muito menos doses suficientes dos imunizantes para atender toda a população.

Por causa disso, o Ministério da Saúde diz que a expectativa é que a população brasileira esteja vacinada apenas no ano que vem e tudo depende da quantidade de insumos. E neste cenário de incertezas, a melhor das hipóteses é a de que a população estava imunizada apenas no segundo trimestre de 2022.

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50 milhões de doses

Diante de tantas incertezas, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski, pediu na segunfa (18) que o Ministério da Saúde apresente um cronograma para a vacinação.

“Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19” traz a indicação de três fases, que englobam pouco menos de 50 milhões de pessoas dos grupos de risco; ou seja, cerca de um em cada quatro brasileiros.

Juntas, as três fases têm previsão de durar quatro meses. Apenas após o encerramento delas, começaria a contar a projeção de 12 meses do ministério para vacinar a população fora dos grupos prioritários.

“O Ministério da Saúde estima que, no período de 12 meses, posterior à fase inicial, concluirá a vacinação da população em geral, o que dependerá, concomitantemente, do quantitativo de imunobiológico disponibilizado para uso”. Ministério da Saúde em nota.

Ministério da Saúde prevê para este ano 210 milhões de doses da vacina de Oxford e outros 100 milhões da CoronaVac. Como são necessárias duas doses por pessoa, a soma dessas quantidades não atenderia toda a população, de cerca de 212 milhões de brasileiros.

Não há doses nem para a primeira fase.

A fase 1, que começou nesta semana, tem, a princípio, previsão de duração de cinco semanas. Mas, com a quantidade de doses disponíveis no Brasil, é difícil saber se esse prazo será cumprido. Ao todo, o país possui 6 milhões de doses de vacina contra covid-19. Mas são necessários 31,1 milhões para cumprir o planejamento.

A fase 1 tem como alvo profissionais da área de saúde, pessoas de 75 anos ou mais, pessoas de 60 anos ou mais que residem em instituições de longa permanência, maiores de 18 anos com deficiência residentes em residências inclusivas, população indígena aldeada em terras demarcadas, povos e comunidades tradicionais ribeirinhas.

Mas, neste primeiro momento, com apenas 6 milhões de doses, somente trabalhadores da saúde e idosos em instituições serão imunizados, segundo o ministério. Os 3 milhões de pessoas previstos para serem imunizados equivalem a cerca de 1,5% da população brasileira.

Fases seguintes

Na fase 2, ainda sem data de início, o governo prevê a vacinação de pessoas com idades entre 60 e 74 anos. Para elas, são necessários quase 46,5 milhões de doses.

A fase seguinte é para pessoas que possuem problemas de saúde, como diabetes, hipertensão, câncer, entre outros. Para este grupo, são estimados 26,6 milhões de doses, que deverão ser aplicadas ao longo de cinco semanas.

O restante da população deve receber a imunização contra a covid-19 após as três fases, dentro desse período de 12 meses. Mas o ministério indica que, “à medida em que o laboratório disponibilizar novos lotes de vacina, o Programa Nacional de Imunizações irá dispor de novas grades de distribuição e cronogramas de vacinação dos grupos prioritários”.