
O governo de Donald Trump anunciou a conclusão de investigações contra produtos brasileiros e propôs a imposição de novas tarifas de 25%. A medida foi tomada após suposta investigação sobre o comércio bilateral e coincide com a visita de Flávio Bolsonaro ao presidente americano e com pedidos de sanções ao próprio país.
Ficam de fora das tarifas exportações de carne bovina, castanha-do-pará, banana, abacaxi, laranja, além da Embraer e do setor de aeronaves.
O governo Trump incluiu o Pix entre as acusações contra o Brasil. Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA, o “Brasil também tem prejudicado injustamente empresas americanas que atuam em serviços de pagamento eletrônico concorrentes, inclusive por meio de políticas que favorecem sua principal empresa nacional”.
Na avaliação dos EUA, o “papel duplo do Banco Central do Brasil como regulador e proprietário/operador da Pix cria um conflito de interesses”.
O documento cita que o BC exige o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas, determina que o sistema seja exibido na tela principal dos aplicativos e incentiva seu uso em detrimento de outros serviços ao exigir que seja oferecido gratuitamente a pessoas físicas.
“Os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao seu tratamento preferencial ao Pix são injustos e discriminatórios.”
Outras acusações na investigação incluem:
- ordens de tribunais brasileiros que sujeitaram empresas de mídia social dos EUA à responsabilidade financeira por descumprimento de ordens de remoção de conteúdo;
- tarifas preferenciais a México e Índia; insuficiência no combate à corrupção (citando a Lava Jato);
- falta de aplicação de leis contra falsificação e demora no exame de patentes;
- falta de tratamento tarifário recíproco ao etanol;
- e desmatamento ilegal.
A Casa Branca abre agora processo de consultas, com audiência marcada para 6 de julho. A decisão final cabe a Trump. O governo Lula associará a proposta de sanção à visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington na semana passada.
Em 2025, Trump já havia imposto tarifaço contra o Brasil, justificado como retaliação pela suposta “perseguição” a Jair Bolsonaro. Na ocasião, Lula usou o caso como alerta da “traição” de Flávio e do PL contra os interesses nacionais.
A ameaça de novas barreiras se soma à decisão dos EUA de classificar PCC e CV como grupos terroristas. Para o governo brasileiro, há clara intenção da Casa Branca de promover ingerência em assuntos domésticos e criar turbulência favorável à extrema direita no Brasil.














