
A TV Gazeta vive um dos momentos mais delicados de sua história. A emissora, tradicional afiliada da Globo em Alagoas até setembro, enfrenta um rombo financeiro que ameaça sua sobrevivência. Documentos apresentados ao Supremo Tribunal Federal (STF) revelam que a perda da parceria com a Globo derrubou o faturamento mensal da emissora de mais de R$ 5 milhões para apenas R$ 1,8 milhão em outubro – uma queda superior a 65%.
Os números constam nas planilhas de controle financeiro do grupo Arnon de Mello, que protocolou um pedido de urgência no STF para tentar reverter a decisão do ministro Luís Roberto Barroso. O magistrado havia autorizado a Globo a encerrar a afiliação com a Gazeta, que transferiu o sinal para a TV Asa Branca na simbólica data de aniversário de 50 anos da TV de Collor, estragando a festa.
Segundo o levantamento, o orçamento da TV Gazeta, quando ainda transmitia a programação da Globo, superava R$ 5,7 milhões mensais em receitas com publicidade e venda de mídia nacional. Com a ruptura, o caixa desabou: em outubro, a receita bruta caiu para R$ 1,839 milhão, conforme registrado em relatórios internos assinados em 28 de outubro de 2025.
A emissora alega que a diferença de mais de R$ 4 milhões inviabiliza o cumprimento de compromissos trabalhistas e tributários, e adverte que, sem uma decisão favorável do Supremo, “a empresa poderá quebrar nos próximos meses”. O relatório financeiro apresentado à Corte detalha despesas fixas expressivas – como folha de pagamento, encargos e contratos de serviços – que totalizam cerca de R$ 3 milhões mensais, ou seja, valores hoje superiores à arrecadação.
Além da petição ao STF, a Gazeta já protocolou pedido de recuperação judicial, reconhecendo oficialmente a incapacidade de honrar suas dívidas no curto prazo.
Fontes próximas à direção da emissora afirmam que, antes da ruptura definitiva, a Gazeta chegou a negociar uma possível migração para o sinal da Band, mas optou por insistir na permanência com a Globo, apostando em um recurso judicial que agora depende do Supremo.
O rompimento com a Globo não apenas esvaziou o faturamento da TV Gazeta como também desorganizou o modelo de negócios de um grupo que, por décadas, foi sinônimo de estabilidade e influência no estado.
Hoje, sem o apoio da Globo e com receitas em colapso, a Gazeta luta para não sair do ar – enquanto aguarda a resposta do STF que pode decidir seu futuro.














