
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), atualmente detida na Itália, participou por videoconferência da sessão da Comissão de Constituição e Justição (CCJ) da Câmara nesta quarta-feira (24) e acusou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de perseguição, chamando-o de “bandido”. O depoimento integra o processo que pode cassar seu mandato.
“Quando foi que eu percebi essa perseguição? Foi quando eles mandaram eu pedir desculpa no Facebook. Essa minha entrevista foi deletada do Pânico, esse vídeo em que eu falo que Moraes foi advogado das vans do PCC. Ali eu percebi que estava lidando com uma pessoa que era um bandido”, declarou Zambelli, vestindo um moletom cinza.
A referência é à atuação legal prévia de Moraes como advogado de uma cooperativa de vans que posteriormente foi investigada.
A deputada está presa na Itália aguardando decisão sobre seu processo de extradição, após fugir do Brasil passando pela Argentina e Estados Unidos.
Ela foi condenada pelo STF em maio à perda de mandato e a dez anos de prisão pelos crimes de invasão de dispositivo informático do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em conjunto com o hacker Walter Delgatti Neto.
O hacker emitiu uma ordem de prisão falsa contra Moraes, alegação que Zambelli nega, dizendo que soube da invasão somente após os fatos.
Durante a sessão, Zambelli também relatou dificuldades financeiras devido ao bloqueio de seu salário e de uma “vaquinha” de apoiadores determinados por Moraes, medidas que, segundo ela, atingiram toda a sua família. Questionada sobre arrependimentos, citou o episódio em que perseguiu um homem com arma em punho na véspera das eleições de 2022, mas discordou da avaliação de que o fato tenha influenciado na derrota de Jair Bolsonaro.
A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) questionou a legalidade do depoimento remoto sem anuência de órgãos diplomáticos, mas o presidente da CCJ, Paulo Azi (União Brasil-BA), justificou a decisão com base no direito à ampla defesa.
O depoimento encerrou a fase de instrução, e o relator, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), tem agora cinco sessões para apresentar seu parecer. A cassação definitiva do mandato, que requer 257 votos no plenário, ainda divide a bancada do PL.














