AGU articula reaproximação entre André Mendonça e PF para conter crise institucional

Superintendentes da corporação divulgaram nota em defesa da autonomia técnica da Polícia Federal em meio a atrito com ministro do STF

O advogado-geral da União, Jorge Messias, iniciou um movimento para reaproximar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, após o agravamento da tensão em torno das investigações sobre fraudes no INSS .

O primeiro passo ocorreu na manhã desta quinta-feira (6), quando Messias se reuniu com Mendonça e com o ministro da Justiça, Wellington César, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde Mendonça exerce a vice-presidência. O encontro, que durou cerca de uma hora, teve como objetivo reconstruir a interlocução institucional e reduzir o desgaste provocado por divergências na condução do inquérito .

O impasse entre a PF e o gabinete de Mendonça escalou quando o ministro determinou que a corporação encaminhasse imediatamente ao STF todas as informações e perícias produzidas na investigação, e que comunicasse previamente qualquer troca ou afastamento de delegados responsáveis pelos inquéritos .

Mendonça também proibiu a direção-geral de remanejar integrantes da equipe do inquérito do INSS sem aval do gabinete e exigiu a entrega de material sem criptografia, sem perícia, sem relatório e sem análise .

A PF, por sua vez, acionou a Advocacia-Geral da União no dia 23 de julho para recorrer das decisões de Mendonça, alegando que elas violam suas competências e podem viciar o processo. A avaliação de analistas é que a maneira como estão sendo conduzidos os inquéritos provoca uma distorção institucional, com o juiz assumindo funções policiais .

Há temor de que o acúmulo de papéis e a centralização de informações no gabinete do relator possam levar à nulidade dos processos .

No mesmo dia da reunião mediada pela AGU, os 27 superintendentes regionais da PF divulgaram uma nota em defesa da direção-geral e da autonomia técnica da corporação .

Embora o documento não mencione André Mendonça, a manifestação foi interpretada como uma resposta ao embate. Na nota, os superintendentes afirmam que a credibilidade da PF “decorre da atuação técnica e independente” e que a “atividade investigativa da Polícia Federal não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei” .

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