
A crise financeira da Braskem, que levou a petroquímica a pedir recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida de R$ 54 bilhões, pode impactar diretamente o bolso do consumidor.
Se a empresa reduzir a produção de resinas como polietileno, polipropileno e PVC, a indústria nacional poderá depender ainda mais de importações para fabricar embalagens, tubos e autopeças, aumentando a exposição dos preços às variações cambiais, ao frete internacional e às tarifas.
Embora as resinas importadas sigam referências globais, a oferta doméstica atualmente ajuda a reduzir a volatilidade dos preços, e uma eventual substituição pode elevar os custos.
A Braskem já perdeu participação no mercado nacional, que caiu de 70% a 75% para cerca de 49%, enquanto as importações chegaram a 46%. Concorrentes norte-americanos produzem a custos menores devido ao uso de gás natural, enquanto a China, antes importadora, tornou-se exportadora de excedentes, pressionando os preços globais e as margens do setor petroquímico.
O Brasil aplica tarifas antidumping para proteger a produção nacional, mas um eventual colapso da Braskem poderia levar o governo a abrir mão desse mecanismo para facilitar as importações.
Economistas avaliam que o impacto inflacionário imediato pode ser limitado pela concorrência externa, mas uma corrida por estoques e a ausência de substitutos nacionais elevam os riscos. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), cada R$ 1 milhão de produção química gera 15 empregos e R$ 960 mil em PIB. O setor, porém, já enfrenta um processo de desindustrialização.













