27 de novembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Brasil anuncia como meta até 2030 reduzir emissões de gases pela metade

Bolsonaro afirma que país teve “bons resultados” em 2020, enquanto que a realidade mostra diferentes números

Versão ‘soft’ de Salles, ex-titular do Meio Ambiente, novo ministro tenta mudar imagem do Brasil, Joaquim Leite ainda é alvo de desconfiança

O Brasil anunciou, nesta segunda (1º), que pretende reduzir pela metade a emissão de gases de estufa até 2030. A nova meta foi anunciada pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, em um pronunciamento feito em Brasília e transmitido no Pavilhão Brasil, instalado na COP26, 26ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que acontece em Glasgow, na Escócia.

“Apresentamos hoje uma nova meta climática, mais ambiciosa, passando de 43% (na redução da emissão de gases estufa) para 50% até 2030 e de neutralidade de carbono até 2050, que será formalizada durante a COP26”. Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente.

Pouco antes do anúncio, um vídeo gravado pelo presidente Jair Bolsonaro, que não vai comparecer ao evento, foi exibido, no qual ele afirmou que os “bons resultados até 2020” permitiriam ao país apresentar metas climáticas “mais ambiciosas”.

“Temos que agir com responsabilidade buscando soluções reais para uma transição que se faz urgente. Vamos oferecer melhor qualidade de vida a todos os brasileiros. Assim vamos contribuir para melhorar a qualidade de vida em todo o planeta. Repito minha mensagem a todos que participam da COP26 e ao povo brasileiro. O Brasil é parte da solução para superar esse desafio global. Os resultados alcançados pelo nosso país até 2020 demonstram que podemos ser ainda mais ambiciosos”. Jair Bolsonaro, em vídeo.

Apesar de Bolsonaro falar em “bons resultados” do país até 2020, o relatório anual do Observatório do Clima indicou aumento de 9,6% em 2019, em relação a 2018, na emissão de gases poluentes. Em 2020, a emissão de gases de efeito estufa teve um aumento de 9,5%.

O próprio presidente decidiu não ir à Convenção do Clima, argumentando ser uma “estratégia” – afinal, seu governo é altamente criticado pelo desmatamento. Com isso, ele ficou de fora da lista de 117 chefes de Estado e autoridades que participam hoje a amanhã da primeira parte do encontro.