
O chanceler Mauro Vieira afirmou que o tarifaço de 25% anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros ocorreu porque o governo Lula “não se curvou às demandas irrazoáveis” do presidente Donald Trump. Em pronunciamento após reunião no Palácio do Planalto, Vieira disse que “claramente, o que incomoda ao governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado”. A medida passa a valer em 22 de julho.
Vieira referendou os esforços dos negociadores brasileiros e classificou as tarifas como “procedimentos unilaterais” sem justificativa. Ele chamou a carta do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, de “grosseira e arrogante” e afirmou que as falas são “inaceitáveis, ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro”. Rubio havia culpado Lula pelo tarifaço, dizendo que o presidente “colocou seu ego à frente”.
O chanceler rebateu os argumentos americanos, afirmando que as alegações sobre o Pix são “descabidas” e que as acusações sobre desmatamento são “absurdas”, citando a redução significativa do desmatamento na Amazônia e no Cerrado desde 2022. “Não houve, portanto, racionalidade na aplicação destas tarifas”, disse.
Vieira também reforçou que os EUA acumularam US$ 424 bilhões em superávit com o Brasil nos últimos 15 anos e que, em 2025, 76% das importações americanas entraram no país sem imposto. O chanceler reiterou a “motivação política” da sobretaxação, mencionando a interferência no Judiciário brasileiro, e o governo já havia atribuído a medida à “ativa colaboração da família Bolsonaro”. O Planalto não detalhou o acionamento da Lei da Reciprocidade durante a fala de Vieira.














