
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o afastamento por 180 dias do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, Daniel Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB). A decisão integra o inquérito que apura suspeitas relacionadas a um homicídio ocorrido em São Luís em 2022, que se tornou ponto central da disputa eleitoral no estado.
A Polícia Federal suspeita que o crime esteja ligado a uma suposta cobrança de propina por Daniel Brandão. Em sua decisão, Dino afirmou que o grupo investigado “lançou mão de todas as ações ao seu alcance para blindar a identificação de Daniel Brandão” e que há “fortes indícios” de que ele usou a função no TCE para ocultar sua identidade nas investigações. “Um órgão independente de controle externo não pode ser presidido por uma pessoa que figura no centro de investigações sobre um homicídio”, escreveu.
O assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, em 2022, teve Gilbson Cutrim condenado como executor pela Justiça maranhense. O caso chegou ao STF em novembro de 2025 após suspeitas de que o senador Weverton Rocha (PDT-MA) tentou interferir na investigação. O governador Carlos Brandão também é investigado como suposto líder de organização criminosa. Ambos negam irregularidades. Daniel Brandão já havia negado as acusações anteriormente. Dino é ex-governador do Maranhão, e Brandão foi seu vice, mas atualmente estão rompidos politicamente.














