24 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Diretor do Inpe será exonerado e desmatamento deve seguir de forma escancarada

Bolsonaro negou dados de desmatamento do Instituto e Ricardo Galvão disse que “o presidente tem comportamento como se estivesse em botequim”

O ministro astronauta Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) decidiu exonerar o diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Ricardo Galvão, após críticas a dados sobre desmatamento considerados sensacionalistas pelo governo.

Pontes e Galvão se reuniram por cerca de duas horas na manhã desta sexta e Galvão disse que motivo de sua exoneração foi seu discurso em relação ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), que criou constrangimento.

Galvão havia dito que até poderia ser demitido, mas que o instituto era cientificamente sólido o suficiente para resistir aos ataques do governo e no dia 20, ao Jornal Nacional, Galvão afirmou:

“Bolsonaro tem um comportamento como se estivesse em botequim. Ou seja, ele fez acusações indevidas a pessoas do mais alto nível da ciência brasileira, não estou dizendo só eu, mas muitas outras pessoas. Isso é uma piada de um garoto de 14 anos que não cabe a um presidente da República fazer”. Ricardo Galvão, então diretor do Inpe.

Diante do fato, a maneira como eu me manifestei com relação ao presidente, criou-se um constrangimento que é insustentável. Então eu serei exonerado”, afirmou, nesta sexta, o diretor, que disse concordar com sua substituição. Galvão afirmou que tinha preocupação de que suas críticas fossem respingar no Inpe, mas ele dizz que “não vai acontecer.

Sem alarde

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) foi criticado pelo governo Bolsonaro também pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno.

Como o Inpe indicou aumento de 80% no desmatamento amazônico, para desgosto do governo, o general afirmou que “se fossem dados corretos, era preocupante, seria conveniente que nós não alardeássemos isso”.

Heleno afirmou que “esses dados divulgados prejudicam muito a imagem do Brasil” e sugeriu que “nós cuidássemos do problema internamente, procurássemos corrigir o que está errado”.

“É falta de honestidade intelectual de boa parte da imprensa de divulgar a notícia. A notícia é para ser divulgada, a imprensa é para informar, mas ela tem que pautar a informação na honestidade intelectual”. General Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Resumo da ópera: ele quer esconder os fatos e continuar agindo de forma errada. Tudo pela “imagem”. Tudo isso em um evento com Ricardo Salles (Meio Ambiente), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Bolsonaro também subiu o tom contra o presidente do Inpe, Ricardo Galvão, afirmando que, se ele “quebrou a confiança, vai ser demitido sumariamente”. Para eles, os números são para “atingir o nome do Brasil e o governo”.

O ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo,o presidente da República,Jair Bolsonaro, e os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles e GSI, Augusto Heleno, durante coletiva de imprensa, sobre os dados do desmatamento divulgados pelo monitoramento ambiental do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia.