29 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Natal de Doria tem viagem para Miami e adiamento de dados da Coronavac

Sequência de eventos não pegou bem nem mesmo entre aliados, que veem brechas para críticas bolsonaristas

Nesta véspera de Natal (24), desembarcou em Campinas (SP) o maior lote da vacina CoronaVac, o imunizante desenvolvido pelo laboratório chinês SinoVac em parceria com o Instituto Butantan.

São 5,5 milhões de doses que chegaram ao Aeroporto Internacional de Viracopos às 5h30. Mas o governador João Doria (PSDB), que tomou pra si o papel de opositor do presidente Jair Bolsonaro nesta pandemia, não estava lá.

Doria ainda estava em Miami, onde passava o Natal com a família, e não recebeu o maior dos lotes com o que ele agora chama de Vacina do Brasil.

Pois bem: o governador embarcou na madrugada de quarta-feira (23) para Miami com a primeira-dama Bia Doria. Ele deixou o Brasil para tirar ”férias”, após assinar um decreto impondo restrições de funcionamento de atividades, incluindo restaurantes e bares.

Ao anunciar seu afastamento por dez dias para se dedicar à família, o governador justificou que a medida era necessária pois ele “se ausentou desse convívio durante o combate à pandemia do coronavírus”.

Claro, tudo desandou. Além de não dar o exemplo, já que ele não foi o único a se ausentar de familiares neste ano, o vice-governador Rodrigo Garcia anunciou que testou positivo para covid. Não deu outra e o governador anunciou nas redes sociais seu retorno para São Paulo.

Coronavac atrasa

E sua ida e volta para Miami, durante essa pandemia, aconteceu no momento do adiamento da divulgação dos dados da Coronavac. Uma sequência de eventos que não pegou bem nem mesmo entre governadores aliados e defensores da coronavac.

Ele acreditam que a notícia do adiamento de dados é péssima, pois dá margem para desconfiança com a vacina e abre espaço para bolsonaristas criticarem. Segundo o Painel do UOL, secretários estaduais de Saúde ficaram desanimados e já acham pequena a chance de o calendário paulista ser mantido.

A oficialização do pedido de registro para a CoronaVac não veio porque o governo alegou problemas contratuais com a chinesa Sinovac. Em meados de dezembro, quando já tinha adiado o pedido de registro uma vez, o próprio governador anunciou que São Paulo esperava “obter o registro da vacina do Butantan até o final deste ano e iniciar a vacinação em 25 de janeiro conforme está programado”.

Não vai mais acontecer

Sem oposição forte

Apesar das quase 190 mil mortes nesta pandemia, chegamos ao Natal com o presidente Jair Bolsonaro ainda negando a gravidade da situação. E fazendo de tudo para sabotar as ações, para manter a coerência de seu discurso de gripezinha. Afinal, ele não erra nunca e só fala a verdade.

Mas mesmo que as ações de Bolsonaro sejam totalmente deturpadas para qualquer observador que pense de forma óbvia, uma oposição mais forte não existe.

Vale lembrar, havia uma união forte entre Doria e Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro. Ambos foram eleitos surfando a onda do Bolsonarismo, mas enquanto o paulista vai pra Miami com a família nesta pandemia, o carioca é carta fora após o processo de impeachment.

E se for pra colocar em contra o Legislativo, que com Rodrigo Maia não placou nenhum dos mais de 30 processos de impeachment e praticamente se vendeu com cargos e emendas bilionárias, mais o Supremo, que errou ao liberar campanhas eleitorais neste ano e agora tem Luis Fux defendendo prioridade para receber vacina entre seus servidores, seguimos sem uma oposição séria e forte.

Quem diria que precisar depender de Doria, Maia ou Fux resultaria em algo positivo, não é mesmo?