PT se une ao PSB e isola Ciro Gomes na corrida presidencial

Ciro disse não entender o que fez para merecer o "tipo de tratamento", até mesmo com "desonestidade", que vem recebendo pelo PT

O PT fechou acordo com o PSB para as eleições deste ano. Ciro Gomes, do PDT, ficou a ver navios e ainda não engoliu essa união. O candidato à Presidência pelo PDT chegou a dizer na noite desta quarta-feira (1º) que ainda aguarda uma resposta do PSB confirmando se a sigla irá ou não apoiá-lo nas eleições deste ano.

“Não recebi nenhuma carta, nenhuma mensagem, nenhum sinal de fumaça”, disse Ciro em entrevista ao programa Central das Eleições, da GloboNews, ainda atordoado e em negação. “Estou aguardando que se confirme isso”, complementou.

Acordos

Os arranjos preveem que o PT abra mão da candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco, beneficiando o socialista Paulo Câmara, e que o PSB retire Márcio Lacerda da disputa ao governo de Minas Gerais. No estado ele não concorrerá com o petista Fernando Pimentel. Na corrida presidencial, o PSB se manteria neutro e sem se aliar a Ciro e ao PDT, potenciais adversários do PT.

Nas eleições deste ano, o PSB terá acesso a R$ 118,7 milhões do Fundo Eleitoral, montante que poderá ser usado para financiar campanhas. Em 2014, a sigla elegeu a sexta maior bancada na Câmara dos Deputados, com 34 representantes.

Já o PDT de Ciro terá acesso a R$ 61 milhões do Fundo, e o tempo de TV e rádio dos trabalhistas corresponde a 19 deputados federais. Se não fechar nenhuma coligação até o dia 15 de agosto, o pedetista acabará com pouco mais de 30 segundos no horário eleitoral.

O próprio candidato do PDT adimitiu que isso foi um forte baque em sua candidatura. Mesmo assim, o candidato do PDT disse que não se “abate” com a união. “Quando eu entrei nessa luta, sabia que era um cabra marcado para morrer”, afirmou o pedetista, que se classificou como um “rebelde” na disputa presidencial.

Ciro disse não entender o que fez para merecer o “tipo de tratamento”, até mesmo com “desonestidade”, que vem recebendo pelo PT. E ironizou: “Já já, eu venço eles”.

Pedido para ser vice

No encontro dos dirigentes dos partidos de esquerda, na terça (31), Gleisi Hoffmann disse ao presidente do PDT, Carlos Lupi, que o PT estava oferecendo a vaga de candidato a vice de Lula a Ciro Gomes (PDT). Ele levou na brincadeira, mas quando percebeu que era sério, disse que o convite deveria ter vindo há duas semanas, antes da convenção do PDT que oficializou a candidatura de Ciro ao Palácio do Planalto.

Lula, o estrategista

Na prisão da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula da Silva coordenou os principais movimentos da pré-campanha até agora e conseguiu, antes mesmo do início oficial da disputa, isolar Ciro Gomes (PDT) e abrir espaço para uma candidatura mais competitiva do PT na sucessão de Michel Temer.

Nos cálculos de Lula, a eleição será novamente polarizada entre direita e esquerda e só há espaço para um nome de cada campo. Ciro seria o adversário direto do PT na competição por votos, principalmente entre os eleitores do Nordeste.

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