25 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Esportes

Técnico da seleção brasileira de ginástica é banido após acusações de abuso sexual

Fernando de Carvalho Lopes é acusado de abusar sexualmente de cerca de 40 atletas, todos menores de idade

Fernando de Carvalho Lopes, ex-técnico da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), é acusado de abusar sexualmente de cerca de 40 atletas, todos menores de idade, ao longo dos anos em que atuou como técnico da equipe do Mesc, em São Bernardo.

Em primeira instância no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da ginástica, em novembro do ano passado, ele havia sido condenado a quase 1.500 dias de suspensão, além de multa de R$ 300 mil.

A punição foi considerada branda pelos representantes das supostas vítimas, da CSMV Advogados, que queria o banimento e recorreu da decisão. O STJD então reviu a polêmica decisão de primeira instância e condenou o técnico Fernando de Carvalho Lopes ao banimento do esporte.

O julgamento ocorreu neste domingo (31), em Aracaju (SE), onde a confederação realizou, mais cedo, sua assembleia anual. Na esfera criminal, o caso segue sendo investigado, há dois anos e meio, pelo Ministério Público de São Paulo e pela Delegacia de Defesa da Mulher de São Bernardo do Campo (SP).

Ele ainda não foi denunciado à Justiça.

No julgamento deste domingo, também foi determinada uma multa, de cerca de R$ 1,6 milhão. O valor seria destinado à CBG, que chegou a convocar Fernando para ser um dos técnicos da seleção brasileira na Rio-2016.

Abusos

Fernando foi acusado por diversos ginastas que treinaram sob o comando dele em São Bernardo de assediá-los. O caso tornou-se público às vésperas da Olimpíada do Rio, em 2016, quando os pais de dois alunos procuraram o Ministério Público e Fernando acabou afastado do cargo de treinador da seleção brasileira.

Depois, em abril deste ano, uma extensa reportagem do Fantástico ouviu diversos relatos de que os abusos eram cometidos há anos. Em 2018, o ex-técnico da seleção brasileira de ginástica olímpica depôs na CPI do Senado, que investigava maus-tratos em crianças e adolescentes.