24 de fevereiro de 2024Informação, independência e credibilidade
Política

Twitter precisa banir Bolsonaro e seus radicais da desinformação

Se o presidente dos EUA (finalmente) foi banido, por que não sua versão dos trópicos?

Precisou “apenas” uma tentativa de golpe no Congresso americano para o presidente Donald Trump ser banido do Twitter. Tendo vencido a campanha quatro anos atrás com discurso de ódio, desinformações e muita mentira, Trump manteve sua coerência ao dizer que as eleições de 2020 foram fraudadas e incitar a turba violenta.

Tudo mentira sem prova – basicamente todas as suas evidências foram derrubadas por evidências, ainda que o ônus da prova tenha que ser dado pelo acusador, não defensor da acusação. Mas seu banimento do Twitter (e outras redes como YouTube, Facebook e até Pinterest) veio de forma tardia, menos de duas semanas antes dele entregar o cargo para o vencedor das eleições, Joe Biden.

Ainda há tempo para corrigir isso com Jair Bolsonaro.

O presidente brasileiros há meses vem fazendo pouco caso da pandemia. Ele não é coveiro, é alguém que pergunta “e daí?” diante de uma gripezinha, afirmando que a vida continua (não para quase 200 mil mortos só no Brasil). E de forma imbecil, hedionda e genocida ainda insiste em discursos que sabotam as ações para encerrar essa crise sanitária, que já está durando demais.

Até que dá pra cair na defesa de “liberdade de expressão” ou “imunidade de pensamento” na hora de atacar minorias, defender milícias, afundar investigações contra aliados ou, vá lá, até mesmo cogitar um autogolpe (afinal, ele já quis fechar o Congresso e STF no ano passado) não é motivo para banimento. Mas pessoas estão morrendo sufocadas, sem oxigênio, e esse traste e seus seguidores precisam ser silenciados.

Bolsonaro diz já ter feito tudo o que podia por Amazonas, mas ele não vai além. Na verdade, seu ir além é propor tratamentos que não funcionam e são até potencialmente mais perigosos que um placebo.

Ter um presidente ativamente defendendo o tratamento de uma doença causada por um vírus usando remédios que, na verdade, agem contra parasitas ou vermes é frustrante.

E seu discurso mentiroso, hediondo e que derruba em seu colo a responsabilidade por estas mortes, é ampliado por pessoas de “credibilidade”, como Alexandre Garcia, que se enrola até pra explicar o que é o ‘dia “D”‘. Não adianta só deletar o que eles compartilham: seus perfis precisam ser eliminados.

Em tempo, antes de tudo: com gente morrendo sufocada por causa de uma pandemia ainda negada pelo presidente e seus apoiadores, não há outra alternativa que sugerir que suas ivermectinas, anittas e hidroxicloroquinas sejam enfiadas em seus retos – da mesma maneira que a ozonioterapia defendido pela tragédia que é hoje o Ministério da Saúde.

E claro, o mais importante: o tratamento precoce com esses remédios, que atuam contra vermes e parasitas, não funcionam com este vírus.  Nas cidades onde pessoas estão morrendo há muitos eleitores de Bolsonaro, que tomam a palavra do presidente como lei. E claramente esse tratamento precoce não funciona:

Nunca na história da humanidade a imunidade de rebanho foi alcançada de forma natural. E se não aconteceu em Manaus, epicentro da primeira onda da Covid-19 no Brasil, é que não vai acontecer em lugar nenhum, visto a tragédia que está acontecendo por lá agora.

E mesmo diante de todas as evidências e fatos acontecendo, ainda há bolsonaristas (e olavistas) dizendo que tudo não se trata de uma campanha organizada para derrubar o líder supremo Jair. Pessoas que mesmo diante do óbvio, contradizem a realidade. Que não mudam nem nunca vão mudar seu discurso:

Gente influente e com um megafone propagando mentiras, como o planeta não ser redonda, que vacina não funciona ou que remédio de verme é eficiente contra um vírus tem que ser calado. Não é questão de liberdade de expressão: é de evitar que mentiras provoquem mais mortes, estando inclusive presentes nos termos de uso.

Conteúdos que possam aumentar a probabilidade de exposição ao vírus ou ter efeitos negativos na capacidade de o sistema público de saúde lidar com a crise não podem ser compartilhados no Twitter. E estão sujeitos a remoção. Contas que violam essa regra repetidamente podem ser suspensas permanentemente.

Se Trump, o presidente dos Estados Unidos, caiu, ainda que na reta final de seu governo, quem desgraça é Jair Bolsonaro para que não aconteça o mesmo? Ele, e seus propagadores do caos não deveriam estar na plataforma.

Bia Kicis, deputada federal e negadora profissional da pandemia, comemorou não haver lockdown no Amazonas antes deste colapso. Famosa por uma frase estúpida neste contexto (crítica do uso das máscaras, ela afirma querer tirar para “poder respirar”), ela quebrou seu “dia do silêncio” para tirar o dela da reta.

Pois bem, Kicis: você falou besteira demais. Besteira que vem sendo propagada pelos seguidores da sita bolsonaristas, que tem um líder óbvio. E que tem entre seus discípulos pessoas influentes como o Carluxo 02, que, incrivelmente, também não foi banido do Twitter.

Se Trump saiu da plataforma, Bolsonaro também pode. Mas ele não seria silenciado: esse irresponsável ainda está presidente do Brasil, tendo o Ministério das Comunicações, Diários Oficiais ou, vejam só, a atenção de jornalistas para reproduzir o que ele fala.

Mas ele não merece ainda estar usando o Twitter, por ser danoso demais nesta pandemia. Assim como seus filhos e os bolsonaristas mais extremos. Banimento já.