Bolsonaro mentiu ou não sabe do que está falando sobre desemprego

Presidente eleito chamou de farsa as pesquisas do IBGE e acusa que beneficiados do Bolsa Família sejam considerados empregados

Em entrevista a José Luiz Datena, na Bandeirante, o presidente eleito Jair Bolsonaro diz que vai mudar a fórmula de cálculo do desemprego do IBGE. Ele tentou explicar seus motivos, mas mostrou que está enganado sobre como o número é calculado. Ou ainda mente, achando que segue em campanha.

“Vou querer que a metodologia para dar o número de desempregados seja alterada no Brasil. O que está aí é uma farsa. Quem recebe Bolsa Família é tido como empregado, quem não procura há mais de um ano é tido como empregado, quem recebe seguro-desemprego é tido como empregado. Nós temos que ter uma taxa não de desempregados, mas uma taxa de empregados no Brasil.”

Pra começar: quem recebe Bolsa Família não é tido como “empregado”. Isso é falso. Uma inverdade. Uma mentira. E o conceito é mundial, recomendado pela Organização Internacional do Trabalho.

É considerado desempregado aquele que procura por uma ocupação e não a encontra. Logo, a pessoa pode receber o Bolsa Família e estar a procura de um trabalho. O mesmo vale para quem recebe o seguro-desemprego.

A pessoa que desistiu de procurar realmente não conta como desempregada, entretanto, o IBGE calcula também o tamanho desse grupo. Ela passa para a estatística como desalentada, que hoje são 4,8 milhões, um número recorde.

O IBGE também já calcula uma “taxa de empregados”. Entre as pessoas em idade de trabalhar, 54,4% estavam ocupadas no terceiro trimestre, mesmo nível de um ano antes.

O que o presidente eleito quer mudar mesmo?

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