
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro foi pressionado por Fábio Faria, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, para realizar pagamentos ao escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Em 15 de março de 2024, Faria escreveu a Vorcaro: “Manda pagar a ele” e “O careca não pode atrasar”. O contrato, assinado em janeiro daquele ano, previa R$ 131 milhões, divididos em 36 parcelas de R$ 3,6 milhões brutos.
Vorcaro reclamou com um sócio sobre o atraso: “Pqp, não pagaram Barci de Moraes. Surreal, vamos ter problemas”. Em seguida, ordenou a uma funcionária que realizasse o repasse, classificando-o como “pagamento mais importante” e autorizando que fosse feito “sem nota, do jeito que for”. O comprovante de um pagamento de R$ 3,4 milhões foi posteriormente enviado.
Em outubro de 2025, Vorcaro orientou que os pagamentos não fossem feitos por Pix, afirmando que “não é bom”.
O relatório da PF também mostra que Faria intermediou encontros entre Vorcaro e Moraes em dezembro de 2023, incluindo um almoço em Campos do Jordão. Metadados do contrato indicam que a última edição do documento foi feita por uma conta identificada como “Ministro Alexandre de Moraes”.
O escritório de Viviane Barci afirmou que a consulta ao ministro teve como objetivo verificar eventuais impedimentos legais. O ministro André Mendonça, relator do inquérito, retirou o sigilo de parte das investigações. Fábio Faria ainda não havia se manifestado sobre o conteúdo do relatório.













