
O ministro André Mendonça, do STF, retirou o sigilo de parte da investigação da Polícia Federal que detalha a relação entre seu colega Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O relatório aponta que Moraes editou a minuta de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de sua esposa, Viviane Barci, e recebeu mensagens de Vorcaro nas quais o banqueiro pedia ajuda para conter investigações.
Segundo a PF, os metadados do contrato, assinado em janeiro de 2024, indicam que a última modificação foi realizada pelo usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O acordo previa 36 parcelas de R$ 3 milhões. Vorcaro classificou o pagamento como “o mais importante que temos” e autorizou que fosse feito “sem nota”. Em outubro de 2025, o banqueiro pediu que o pagamento não fosse realizado via Pix.
Um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões, envolveu o uso de duas aeronaves avaliadas em US$ 6,8 milhões.
O ex-ministro Fábio Faria teria feito a ponte entre Moraes e Vorcaro, compartilhando contatos e intermediando encontros, incluindo um almoço em Campos do Jordão. Em mensagens, Vorcaro pediu a Moraes que “reforçasse” com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para evitar “sacanagem”. O banqueiro também perguntou se deveria deixar o país e se seria possível “bloquear” medidas judiciais.
O escritório de Viviane Barci afirmou que Moraes analisou o contrato apenas para verificar eventuais impedimentos legais. Mendonça agora avalia a possibilidade de incluir Moraes no inquérito.













