
Metadados de documentos apreendidos pela Polícia Federal indicam que o ministro Alexandre de Moraes editou a versão final do contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci, e o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O arquivo, extraído do celular do banqueiro, mostra que a última modificação foi feita por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” às 23h04 de 15 de janeiro de 2024, cerca de uma hora e meia após Vorcaro devolver a minuta com revisões.
O contrato, assinado em 23 de janeiro, previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos. O relatório da PF também revela que os encontros entre Moraes e Vorcaro foram intermediados pelo ex-ministro Fábio Faria, que compartilhou o contato do ministro com o banqueiro em 26 de dezembro de 2023, após dois encontros presenciais na casa de Moraes. Em janeiro de 2024, Faria perguntou a Vorcaro: “Respondeu a Vivi?” e também discutiu com ele a duração do contrato.
O escritório Barci de Moraes afirmou, em nota, que consultou o ministro para verificar “eventuais impedimentos legais” e que ele “jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master”. Os pagamentos foram interrompidos após a prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
Um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões, firmado com a Viking Participações, envolveu o uso de duas aeronaves avaliadas em US$ 6,8 milhões. O ministro André Mendonça, relator do inquérito, já retirou o sigilo de parte das investigações.













