27 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Justiça

Chamou jornalistas de “vagabundos”: Sindjornal repudia procurador Márcio Guedes

Procurador, em postagem nas redes sociais, disse que os jornalistas alagoanos são “vagabundos” por não relacionarem Pinheiro com Brumadinho

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas (Sindjornal) soltou uma nota de repúdio contra o procurador, e jornalista, Márcio Guedes, que em postagem nas redes sociais, disse que os jornalistas alagoanos são “vagabundos” por não relacionarem a situação do Pinheiro, que está afundando, com Brumadinho, que sofreu com o rompimento de barragem na última sexta-feira.

Em trecho da nota, o Sindjornal afirma ser “acintosa, irresponsável, odiosa e desnecessária” a forma como ele buscou chamar atenção e também tentou desqualificar a categoria, de forma generalizada.

Confira a nota na íntegra:

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas (Sindjornal) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) manifestam seu total repúdio à declaração pública, postada em uma rede social, pelo Sr. Márcio Guedes, procurador de estado, referindo-se aos jornalistas alagoanos como “vagabundos”.

De forma acintosa, irresponsável, odiosa e desnecessária, como quem procura holofotes a todo custo, o referido cidadão – que é também graduado em jornalismo – tenta desqualificar o trabalho da imprensa, desrespeitando de forma generalizada, toda uma categoria, com a afirmativa postada no seu perfil, no Facebook: “Estou dizendo. Já disse e os vagabundos dos jornalistas alagoanos não querem ouvir. Pinheiro é a Mariana e Brumadinho de AL”.

Sua declaração açodada configura um dano moral coletivo a todos os jornalistas do nosso estado. Chamar a todos de ‘vagabundos’, de forma generalizada, traz em si elementos que podem configurar crime de injúria e difamação. E nada – nem a sua condição de jurista – dá ao Sr. Guedes o direito de atacar dessa forma toda uma categoria.

Sem entrar no mérito sobre a gravidade e as diversas hipóteses em relação ao que acontece hoje no bairro do Pinheiro, em Maceió, os jornalistas alagoanos têm cumprido papel importante nesse processo, como porta voz da população na busca de explicações e ações do poder público, no sentido de adotar as medidas cabíveis de proteção e amparo às famílias envolvidas no drama vivido no bairro, e de cobrar investigação, respostas e identificação das causas e dos causadores do problema. Se existem culpados nessa história – e deve existir – as investigações vão apontar e, com toda certeza, não é a imprensa. A esta cumpre o dever de informar. E diferente de quem prefere atirar pedras e fazer prejulgamentos, usando de maneira irresponsável e leviana o direito à liberdade de expressão, com ares de dono da verdade absoluta, os verdadeiros jornalistas trabalham na cobertura dos fatos, checando informações e ouvindo fontes de todos os lados da questão – a população, representantes do setor público, especialistas – sempre respeitando os limites da responsabilidade e da ética no exercício profissional.

É inaceitável que um ser humano, diante do drama e sofrimento vividos por centenas de famílias, busque, simplesmente, de forma egoísta, garantir sua notoriedade pessoal. É ainda mais triste e bizarro presenciar que tal atitude parte de alguém com função pública e formação jornalística.

Pior, ao invés de se retratar, após as reações nas redes sociais, o jurista preferiu reeditar sua postagem, e tentar fazer de conta que não foi bem isso que publicou. O Sindjornal tem o ‘print’ da postagem inicial. E não vai aceitar calado os ataques desferidos contra os jornalistas alagoanos.

Nossa categoria merece respeito e estamos vigilantes em defesa do Jornalismo e dos Jornalistas.

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas (Sindjornal)

Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ)

Não é a primeira vez ele comenta sem tato sobre uma situação. Em 2014, o Pleno do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) condenou Márcio Guedes de Souza pelo crime de difamação. Definida em dois anos de detenção, foi substituída por prestação de serviços.

Durante campanha eleitoral para a Presidência da seccional Alagoas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 2009, Márcio Guedes utilizou palavras como “preguiçoso” e “medíocre” para se referir a Omar Coêlho de Mello, candidato à reeleição e também procurador de Estado.