China amplia vantagem sobre EUA como principal comprador de produtos brasileiros

Exportações para o mercado chinês cresceram quase 20% no primeiro semestre de 2026 e recuram 12,2% no americano

A China ampliou a liderança como principal destino das exportações brasileiras nos primeiros sete meses de 2026. De janeiro a julho, o país asiático comprou US$ 69 bilhões em produtos do Brasil, valor quase 20% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Enquanto isso, as vendas brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 20,9 bilhões, uma redução de 12,2% em relação aos primeiros sete meses de 2025. Os dados são da Câmara de Comércio Brasil-EUA (Amcham).

A retração foi ainda mais acentuada entre produtos atingidos pelas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. As exportações de petróleo bruto caíram 25,5%, enquanto as de aço recuaram 11%.

Também houve redução nas vendas de café não torrado, com queda de 34%. Em julho, as exportações de fumo diminuíram 59,6%, enquanto as de madeira tiveram retração de 59%.

Com isso, a diferença entre as compras chinesas e americanas de produtos brasileiros chegou a quase US$ 50 bilhões, maior distância já registrada entre os dois mercados.

Ao mesmo tempo, o Brasil reduziu suas importações dos Estados Unidos em 10%, para US$ 23 bilhões. Mesmo com a queda, o saldo comercial permaneceu favorável aos americanos em US$ 2,3 bilhões, aumento de 122% em relação a 2025.

As compras brasileiras de produtos chineses, por outro lado, avançaram 8% e chegaram a US$ 44 bilhões entre janeiro e julho.

O movimento ocorre em meio ao agravamento das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Segundo integrantes do governo brasileiro, a política tarifária americana vem reduzindo a participação dos EUA na economia nacional e, simultaneamente, ampliando o espaço ocupado pela China.

A aproximação com Pequim contraria o objetivo declarado de Washington de conter a expansão da influência chinesa na América Latina. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a abordar o tema com Donald Trump durante encontro realizado em Washington neste ano.

Representantes dos dois governos devem retomar as negociações comerciais na próxima segunda-feira. Apesar da reabertura do diálogo, integrantes do governo brasileiro avaliam como improvável um acordo antes das eleições presidenciais de outubro.

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