13 de maio de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Conselho denuncia governo por suspender compra de kits de intubação

Equipamentos são essenciais para salvar vidas de pacientes graves

Sem os kits o atendimento aos pacientes graves nas UTIs entra em colapso

A denúncia do Conselho Nacional de Saúde (CNS) é contundente e demonstra o descaso do Presidente Jair Bolsonaro no combate a pandemia.

O CNS revelou que foi em agosto de 2020, que o Ministério da Saúde cancelou uma compra de medicamentos para o chamado “kit intubação”, conforme ofício datado do dia 20 daquele mês.

Os kits são equipamentos essenciais para os pacientes que graves ou gravíssimos, que são intubados nas UTIs mantidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o conselho, o desabastecimento desses medicamentos coloca em risco toda a estrutura planejada para o atendimento de saúde durante a pandemia do novo coronavírus, pois mesmo com leitos disponíveis, sem esses medicamentos não é possível realizar o procedimento, podendo levar todo o sistema de saúde ao colapso”, diz trecho do documento.

O documento diz que o Ministério havia se comprometido a garantir a aquisição dos medicamentos para mais 30 dias, mas cancelou a compra, sem dar qualquer tipo de explicação.

“Considerando que em 12 de agosto de 2020 a operação Uruguai II (operação destinada à compra), executada pelo Ministério da Saúde para aquisição de medicamentos do kit intubação foi cancelada, sem que seus motivos fossem esclarecidos“.

Segundo o Ministério da Saúde, a Uruguai I comprou “54.867 unidades de medicamentos usados no auxílio da intubação de pacientes em UTI que se encontram em estado grave ou gravíssimo pela covid-19

No oficio de 20 de agosto, o CNS alertou para o cenário de desabastecimento de medicamentos do “kit entubação“.

“Considerando que o desabastecimento desses medicamentos coloca em risco toda a estrutura planejada para o atendimento de saúde durante a pandemia do novo coronavírus, pois mesmo com leitos disponíveis, sem esses medicamentos não é possível realizar o procedimento, podendo levar todo o sistema de saúde ao colapso”, diz trecho do documento.

Na última 4ª feira (17.mar.2021), o Ministério informou que fez uma requisição administrativa de 665,5 mil medicamentos para “entubação” para um período de 15 dias.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, disse que busca novos fornecedores e que vai flexibilizar os critérios para a aquisição dos kits para agilizar o processo e evitar a escassez de medicamentos.

Na última 6ª feira (19.mar.2021), a Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) divulgou uma “carta aberta” na qual explica que o setor privado também enfrenta risco de desabastecimento.