2 de maio de 2024Informação, independência e credibilidade
Política

CPI ouve hoje o ex-diretor do Ministério da Saúde acusado de pedir propina

Presidente Jair Bolsonaro tentou indicar o mesmo Roberto Ferreira Dias para o cargo de diretor da Anvisa

Roberto Dias foi citado em depoimentos à CPI como responsável por negociações suspeitas de vacinas. Foto: Anderson Riedel/PR

A CPI da Pandemia deve ouvir nesta quarta-feira (7) o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, acusado de pedir propina para autorizar a compra da AstraZeneca.

A denúncia foi feita pelo policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, com sede nos Estados Unidos. Em depoimento à CPI, ele afirmou ter recebido um pedido de propina para a compra de 400 milhões de doses do imunizante. Segundo Dominguetti, Dias teria cobrado US$ 1 por dose.

Leia mais: Servidor que Bolsonaro queria dirigindo a Avisa é exonerado da Saúde após denúncias de propina

Ele foi exonerado do cargo em junho, depois da denúncia de que teria pedido propina para autorizar a compra da vacina AstraZeneca pelo governo federal. Dias nega a acusação.

O presidente Jair Bolsonaro tentou indicar o mesmo Roberto Ferreira Dias para o cargo de diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em outubro de 2020.

O próprio presidente recuou e solicitou que o Senado desconsiderasse a indicação, depois que o servidor foi acusado de assinar um outro contrato suspeito de irregularidades. Também na área da Saúde.

Covaxin

Os requerimentos para a convocação foram apresentados pelos senadores Humberto Costa (PT-PE) e Otto Alencar (PSD-BA). Nos pedidos, os parlamentares querem esclarecer também o suposto envolvimento de Roberto Ferreira Dias em irregularidades na compra de outro imunizante: o indiano Covaxin.

De acordo com Humberto Costa, Dias assinou um “contrato bilionário” para a compra da vacina, o que vem sendo investigado pela CPI.

“O contrato prevê a entrega de 20 milhões de doses, ao valor unitário de US$ 15, no valor total de R$ 1,614 bilhões. Considerada a vacina mais cara do Brasil, o contrato foi firmado com a empresa indiana Bharat Biotech, representada pela empresa brasileira Precisa Medicamentos”. Humberto Costa.