
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, decidiu exonerar o diretor de Logística da pasta, Roberto Ferreira Dias após a denúncia de cobrança propina de um representante da AstraZeneca.
A exoneração foi confirmada em nota pelo ministério. A medida será publicada nesta quarta-feira (30) no Diário Oficial da União.
Roberto Dias foi indicado ao cargo pelo líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). Sua nomeação ocorreu em 8 de janeiro de 2019, na gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM). Barros, claro, quis se esquivar:
Em relação à matéria da Folha, reitero que Roberto Ferreira Dias teve sua nomeação no Ministério da Saúde no início da atual gestão presidencial, em 2019, quando não estava alinhado ao governo. Assim, repito, não é minha indicação. Desconheço totalmente a denúncia da Davati.
— Ricardo Barros (@RicardoBarrosPP) June 30, 2021
O presidente Jair Bolsonaro tentou indicar o mesmo Roberto Ferreira Dias para o cargo de diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em outubro de 2020.
O próprio presidente recuou e solicitou que o Senado desconsiderasse a indicação, depois que o servidor foi acusado de assinar um outro contrato suspeito de irregularidades. Também na área da Saúde.
Propina
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Paulo Dominguetti Pereira, representante da Davati Medical Supply, empresa que tentou negociar com o governo de Jair Bolsonaro a venda de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, acusou Ferreira Dias de cobrar a propina de US$ 1 por dose em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde.
Segundo a reportagem, a suposta cobrança de propina ocorreu em um jantar no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, no dia 25 de fevereiro.














