
O ministro Flávio Dino, do STF, retirou o sigilo de três decisões que detalham investigações sobre um esquema de corrupção no Maranhão, envolvendo obstrução de Justiça, desvio de emendas e assassinato.
Segundo os despachos, há no estado “um ecossistema empresarial criminoso, destinado ao desvio de recursos públicos (abrangendo inclusive emendas parlamentares federais)”.
O homicídio de um empresário em 2022, que teria sido motivado por cobrança de propinas, desencadeou medidas de obstrução que, segundo Dino, “envolveriam policiais federais e civis, advogados, políticos (entre os quais um senador da República)”.
A PF aponta que o grupo vinculado ao governador Carlos Brandão (MDB) teria fraudado licitações e desviado contratos e emendas, com valores que ultrapassam R$ 14 milhões em um dos casos.
O sobrinho do governador, Daniel Brandão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, é apontado como possível partícipe, mas nega envolvimento. O senador Weverton Rocha (PDT-MA) também é citado em tentativas de travar a apuração no STJ.
A investigação se conecta ao monitoramento ilegal de Dino e sua família no Maranhão, revelado pela PF. O ex-secretário Raimundo Cutrim, fonte do blogueiro que vazou dados de segurança, é personagem central em ambos os casos.
Um policial federal foi afastado por supostamente atuar para a organização criminosa. Dino, alvo de ameaças nas redes sociais, tornou-se o segundo ministro mais ameaçado do STF. Um influenciador de direita afirmou que Dino “deve começar a se preocupar com atiradores”. As apurações tramitam em sigilo.














