
Em 2014, em uma revista de direito, o subprocurador da República Antonio Carlos Simões Martins Soares, 68, chamou a democracia de “um verdadeiro embuste” e disse que a maioria dos meios de comunicação só a defende “mais por interesses próprios do que por convicção ideológica”.
E é exatamente esse senhor que passou a ser apontado, nos últimos dias, como novo favorito a ser indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para ocupar a PGR (Procuradoria Geral da República). Também de forma conveniente, ele é apadrinhado por Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e pelo advogado do senador, Frederick Wassef.
No texto intitulado “A farsa da democracia”, divulgado pela revista Justiça & Cidadania, Soares afirma que “o acesso e a manutenção do poder nas democracias ocidentais depende decisivamente do desempenho da mídia nos períodos eleitorais”. Na época da publicação, ele ocupava o cargo de procurador regional da República no Rio de Janeiro. Hoje, está lotado na PGR, em Brasília
“A democracia tal como é hoje praticada nos países ocidentais e imposta ao resto do mundo como modelo de regime político se apresenta como um verdadeiro embuste. A começar pelo acesso aos mandatos eletivos, passando pelo espaço nos veículos de comunicação, a disputa entre candidatos se mostra inteiramente desigual”. Antonio Carlos Simões Martins Soares, subprocurador da República.
Em outro texto para a mesma publicação, intitulado “A inefetividade das leis”, Soares afirma que “nosso corpo de legisladores”, em referência ao Congresso Nacional, “nem é dado à reflexão e muito menos guiado pelo interesse público”.

Flávio Bolsonaro
Depois de flagrado no esquema de corrupção milionário, operado por Fabrício Queiroz, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o atual senador Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidente da República, decidiu ele mesmo escolher o futuro Procurador Geral da República.
No final de semana, Bolsonaro disse a auxiliares do Planalto que Soares poderá ser escolhido para substituir a atual procuradora-geral, Raquel Dodge, cujo mandato termina em 17 de setembro. Ele já foi recebido por Bolsonaro no Palácio da Alvorada e no dia seguinte, encontrou-se com o ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal.














