26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Lira corre na Câmara para aprovar projetos e bate-boca com deputado do PSOL

Glauber Braga chamou o alagoano de ditador e perguntou se ele não tinha “vergonha” por querer vender a Petrobras

A Câmara dos Deputados aprovou na noite de ontem (31) a urgência de dois projetos apontados pelo presidente Arthur Lira (PP-AL) como ferramentas para amenizar reajustes na conta de luz e conter a escalada dos preços de combustíveis, em tentativa de diminuir a pressão inflacionária no país.

O requerimento de urgência do projeto que prevê reembolso na conta de luz em caso de cobrança indevida de impostos foi aprovado por 371 votos a favor. Já a urgência do projeto que dá transparência à composição de preços de derivados do petróleo teve votação simbólica. A expectativa é de que os dois textos sejam votados hoje (1º).

As negociações são intensificadas no momento em que a desvantagem de Bolsonaro se amplia nas pesquisas em relação a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Novo levantamento do Datafolha mostra o ex-presidente com 54% dos votos válidos, o suficiente para que ele fosse vitorioso no 1º turno se a eleição fosse hoje.

O projeto que trata da devolução de valores recolhidos a mais de usuários de serviços públicos é do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR). Já o texto que obriga a divulgação de valores referentes a componentes que influenciem preços de derivados do petróleo é do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

Bate-boca

Na mesma sessão, o presidente da Câmara dos Deputados protagonizou um bate-boca com o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). O alagoano foi provocado pelo colega parlamentar, ameaçou usar medidas para retirá-lo do plenário e disse vai levar o caso ao Conselho de Ética.

Glaber Braga perguntou, no microfone, se Lira não tinha “vergonha”, sem explicar sobre o que estava se referindo, e chegou a chamar o presidente da Casa de “ditador”.

Lira cortou o microfone de Braga, pediu para ele se conter, disse que ele já estava “exagerando há muito tempo” e leu um trecho do regimento da Casa, apontando a pratica de desrespeito por parte do parlamentar.

“Eu não vou fazer o carnaval que o deputado Glauber está querendo não. O senhor não está delegado pela liderança, o senhor não tem direito regimental de falar. Não vai tumultuar a sessão sozinho. Aprenda a ter respeito”, disse Lira, ameaçando usar “medidas mais duras para retirá-lo [Glauber] do plenário”.

“Acha que vai me tirar desse plenário? Pois não vai me tirar do plenário, pois não tem esse poder para fazê-lo”. Glauber Braga.

Arthur Lira então afirmou que Glauber não tinha, até então, delegação pelo PSOL para falar em nome da liderança. Nesse momento, a líder do partido, Sâmia Bomfim (SP), afirmou então que cabia ao partido escolher o orador e que Glauber é vice-líder da legenda.

“Vossa Excelência, por esse partido, o partido do presidente desta Casa, responderá no Conselho de Ética e vai ter todas as oportunidades de fazer sua defesa ou acusações lá sobre o que ia falar, mas pelo começo da fala já se tem a impressão de que não será muito proveitoso”. Arthur Lira.

Já na tribuna da Casa, Lira deu a palavra ao colega, que repetiu o questionamento sobre “vergonha”.

“Está para nascer ainda quem utilizar essa presidência achando que vai calar aquilo que eu tenho a dizer. A pergunta que eu fiz no microfone eu faço novamente: o senhor não tem vergonha não? É pecado perguntar se o senhor não tem vergonha? Lamentável não é a minha indignação, lamentável é o senhor se sentir a vontade para no ano de 2022 como presidente da Câmara trair e entregar o patrimônio brasileiro fingindo que está fazendo bem à população brasileira.”

Após a fala do deputado do PSOL, Arthur Lira disse ter vergonha de fazer parte do mesmo Parlamento que Glauber e voltou a defender a privatização da estatal.