14 de julho de 2024Informação, independência e credibilidade
Justiça

Mauro Cid depõe de novo na PF para saber se mentiu ou omitiu na delação premiada

Delação premiada que pode ser cancelado se ficar comprovado que mentiu ou ocultou provas

O tenente-coronel Mauro Cid faz na tarde desta segunda-feira (11) um novo depoimento na Polícia Federal sobre a tentativa de golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro (PL) no poder.

O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro fechou um acordo de delação premiada que pode ser cancelado se ficar comprovado que mentiu ou ocultou provas durante seus depoimentos.

A defesa nega que Cid tenha ocultado fatos. O advogado Cezar Bitencourt refuta a suspeita de esconder informações. Não houve acesso às íntegras dos depoimentos anteriores.

Cid supostamente participou ou ao menos presenciou possíveis crimes investigados pela PF. Ele pode tratar de qualquer um deles nesse novo depoimento: Falsificação da carteira de vacina; Pagamentos para Michelle; Ex-comandante; Golpe de Estado; Escândalo das Joias.

Ex-comandante

A nova oitiva acontece após o ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes entregar tudo em quase oito horas de depoimento na sede da PF no dia 1º, respondendo todas as perguntas

Freire Gomes comandava o Exército em 2022, quando a cúpula do governo planejava um golpe com a participação das Forças Armadas. Ex-chefe do Exército disse que Bolsonaro convocou reunião para discutir proposta golpista.

O plano incluía uma minuta para reverter a eleição de Lula. Freire Gomes também teria citado o ex-presidente como o responsável pela manutenção dos acampamentos golpistas em Brasília. Além disso, aliados de Bolsonaro tentaram convencer Freire Gomes a botar as tropas do Exército na rua e aderir ao golpe.

Xingamento de Braga Netto. Em outra conversa analisada na investigação, Freire Gomes é chamado de “cagão” pelo general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e vice na chapa de Bolsonaro em 2022. A troca de mensagens mostrou que Braga Netto teria liderado uma campanha velada, mas agressiva, contra oficiais que se mostraram contrários ao plano de golpe.

Cid também pode ter de falar sobre a atuação de Bernardo Romão Correa Neto. O coronel foi solto na quinta (7) por decisão de Alexandre de Moraes, do STF, após ter sido preso em fevereiro. Segundo a PF, ele teria integrado um grupo que atuaria elegendo alvos “para amplificação de ataques pessoais contra militares em posição de comando que resistiam às investidas golpistas”.