12 de julho de 2024Informação, independência e credibilidade
Brasil

Não há mais diálogo: Bolhas da internet favorecem fake news

Independente dos grupos serem de família, amigos ou qualquer tipo de profissionais, apoiadores de Bolsonaro e Haddad pararam de dialogoar

O segundo turno das eleições presidenciais deixaram o brasileiro com saudades do clima, agora, amistoso entre Dilma e Aécio em 2014. Se brigas eram comuns entre eleitores da petistas e do tucano, a coisa partiu para um cenário quase bélico entre os simpatizantes de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

Nunca no Brasil as redes sociais tiveram tanta força em uma eleição, como nesta de 2018. E fechados no conforto de seus grupos de WhatsApp os eleitores brasileiros parecem falar sozinhos ou de frente para os próprios espelhos: eles apenas replicam pensamentos semelhantes aos seus, sem o uso do contraditório: quem pensa diferente não é ouvido e nem bem vindo.

Independente dos grupos serem de família, amigos ou qualquer tipo de profissionais, as cisões acontecem aos montes. Se familiares tem discussões acaloradas a ponto de brigarem com primos, tios, irmãos ou mesmo filhos e pais, o que dizer então de qualquer outra categoria: as pessoas estão abandonando o diálogo e se fechando em grupos de ideologia única: elogiar o outro lado ou criticar o seu virou tabu.

Diante deste cenário, até mesmo contrapor mentiras ficou inviável. Mamadeiras eróticas para crianças ou venezuelização do Brasil viram assuntos difíceis de contra argumentar, pois as pessoas deixaram de se importar com o que é verdadeiro. Mais vale uma mentira que convém, do que uma verdade difícil de argumentar.

É o que se chama do Princípio da Assimetria da Merda: a quantidade de energia gasta para refutar uma é muito maior do que a gerada para produzi-la. Pior quando os próprios candidatos são os emissores das mentiras. De ouvidos e olhos fechados, as fake news prosperam. E os eleitores isolados nunca mudarão de opinião.

Indecisos

Além de não dialogar entre si, as “bolhas” que apoiam Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) não conseguiram conversar com eleitores que pertencem a um terceiro grupo: os isentos, aqueles que pretendem anular o voto ou votar em branco no segundo turno.

Em uma eleição, é muito difícil, quase impossível, um eleitor mudar seu voto. Historicamente, o que pode mudar o cenário e decidir uma eleição é exatamente o voto dos indecisos. Estes podem ser conquistados por argumento de uma das partes. Mas, no cenário tóxico de hoje, até estes fecharam os olhos: estão crentes que dá tudo no mesmo. O que é uma pena.