4 de dezembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Negociando Banco do Brasil com americanos, Guedes não se preocupa com dólar alto

Ministro falou nessa semana em fazer uma fusão entre Banco do Brasil e Bank of America aos moldes do que “já fizemos entre a Embraer e Boeing”.

Paulo Guedes tem motivos para não ligar pra alta do dóla

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o mal desempenho brasileiro no mercado financeiro é apenas um “barulho” e não deve ser motivo de preocupação. Entretanto, o dólar fechou nesta semana em R$ 4,10, o maior patamar desde setembro de 2018, antes do primeiro turno das eleições. Já a bolsa caiu para 89.992 pontos, o pior patamar do ano.

“Se a Bolsa cai três dias, dólar sobe um pouco, isso é barulho. Ninguém tem que ficar preocupado com isso”, completou o ministro, que afirmou estar “superconfiante” no Brasil, alegando que há um alinhamento construtivo entre poderes para promover mudanças na economia.

Entretanto, o presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, que estava ao lado dele em evento do setor de construção civil, no Rio, nem de longe compartilhou desta visão:

“Nós estamos caminhando para o aumento do desemprego, para o aumento da pobreza e no final do ano voltamos a ter fome no país”. Rodrigo Maia (DEM-RJ) presidente da Câmara.

Venda para americanos

Esse otimismo com a alta do dólar pode ter explicação: é mais barato para negociar estatais brasileiras com estrangeiros. Mais especificamente, casos da Petrobrás e Banco do Brasil.

Nesta semana, quando discursou em Dallas, durante homenagem da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos a Jair Bolsonaro, o ministro falou em fazer uma fusão entre Banco do Brasil e Bank of America aos moldes do que “já fizemos entre a Embraer e Boeing”.

“Vamos procurar fazer uma fusão entre o Banco do Brasil e o Bank of America. São bancos bons para empréstimos agrícolas. Já fizemos uma nova relação entre a Embraer e Boeing. Vamos construir empresas transnacionais. Vamos ultrapassar as nossas fronteiras na procura de melhores oportunidades econômicas”. Paulo Guedes, ministro da Economia.

Guedes disse ainda que esteve ao lado de Bolsonaro durante encontro com o CEO da da petrolífera Exxon Mobil, Darren Woods, e prometeu a abertura do mercado de petróleo no Brasil, com o fim do monopólio de exploração da Petrobras.

Com a alta do dólar e desvalorização nacional, não é a toa que ele não se preocupa, afinal a venda para os americanos está na agenda do governo. E Bolsonaro não esconde: